A noite do metal (Rock in Rio 1985)

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Nesse dia o rock foi saudado, pois nenhuma banda era questionada se era Rock’n’Roll ou não, e ficou conhecida como “Noite do Metal”; quatro inossauros da época estavam presentes, meus amigos Miúda e Zanaguinha (eram menores) mais o meu parceiro Minhoca e seus amigos Raul e Tanaka foram ao Rock in Rio, para prestigiar esse dia sagrado; sim, aquele meu tio e seu amigo Linão, ficaram bebendo, eles não curtiam rock pesado.

Baby e Pepeu: ela fez o seu mesmo show, teve personalidade, sem medo dos headbangers mais rebeldes, tocou as músicas do primeiro dia, com seu barrigão de fora; Pepeu já foi mais cauteloso, e trocou todo repertório, tocando apenas instrumental, com muitos solos, e chegou a ganhar as palmas dos menos radicais; ele que foi o guitarrista do show de Baby. Segundo boatos, Pepeu levou seguranças, que os mesmos chegaram aos roadies do Whitesnake e disseram: “Se tentarem arrancar ele do palco, vocês morrerão.” Erasmo Carlos preferiu não tocar nesse dia – foi anunciado no evento: “Por motivos de força maior, Erasmo Carlos adiou seu show”. Delírios para os fãs de rock pesado – o tremendão foi inteligente, pois cantar “Gatinha Manhosa” naquele dia não dava.

Whitesnake: Coverdale confessou que ficou muito nervoso no primeiro dia – era seu primeiro show na América do Sul, onde ele não sabia qual seria a reação do público. Estava muito eufórico com a segunda apresentação, afinal tinha 250.000 pessoas aguardando. No hotel, o baterista Cozy Powell (falecido em 1998 num acidente automobilístico) e o baixista Neil Murray deram entrevista, enquanto pegavam piscina; já John Sykes não estava nem um pouco animado, e se irritou com os repórteres da Globo; “Crying in the Rain” teve oito minutos de duração; novamente Sykes abusou dos solos; “Walking in the Shadow” com Coverdale fazendo pose, “Love Ain’t no Stranger”, “Slid it In”, “Slow an’ Easy”e “Guility of Love” – com rodas se abrindo (essa música se tornou uma das mais famosas trilhas do Rock in Rio) – “Ready an’ Willing” próximo ao final. Coverdale agradecia, o público fazia muito barulho, gritava Whitesnake, e a banda não escondia a satisfação. “Ain’t No Love” também foi esticada para oito minutos. Junto com o Yes e o Queen eram as mais técnicas do festival.

Ozzy Osbourne: velas e isqueiros acessos (na época não tinha celular), Ozzy entra em cena, uma faixa escrita “Ozzy” era vista; a empolgação começa logo na primeira música: “I Don’t Know”, em seguida veio “Mr. Crowley”, “Bark the Moon” (era a turnê desse disco) e “Over the Mountain” onde começou aglomeração na frente do palco; ele com seu jeito desengonçado bate palmas, além de suas caretas; o guitarrista era o competente Jake E Lee, e nos teclados Don Airey que dispensa comentários. Segundo informações, Ozzy e Jake haviam consumido muita cocaína um dia antes, e não estavambem nas primeiras três músicas – isso não foi notado pelo público, e não temos como provar; ele errou algumas letras, mesmo assim sua disposição estava melhor do que a primeira apresentação; foram uma hora e 13 minutos de paulada; cruzes são levantadas na plateia, de plástico e de madeira, solos e mais solos, Ozzy rasga a camisa, solo de batera, e entra “Flying High Again” música que ele compôs com Randy Rhoads (guitarrista morto em 1982, num acidente aéreo); as últimas três músicas foram: “Iron Man”, “Crazy Train” e “Paranoid”; o público aplaudiu e muito

Sino um dos símbolos da banda

Scorpions: os alemães repetiriam a sua boa apresentação, com alguns detalhes: Klaus Meine cantou uma versão de “Cidade Maravilhosa” em português com seu sotaque pra lá de puxado; os famosos saltos foram dados em demasia, e Matthias Jabs com uma guitarra com bandeiras do Brasil colado – o instrumento lembrava a guitarra que era o logotipo do festival; “Come Home”, “Blackout”, “Bad Boys Running Wild”, “Make it Real” foi um começo acelerado, na metade o show se romantiza com “Holiday” e “Still Love You”; a música que fechou foi novamente “Can’t Get Enough”; 14 músicas, lembrando que o Jabs no show anterior havia se machucado com a guitarra, mesmo assim ele continuou solando e o supercílio sangrando. Seis meses depois eles lançaram o álbum “World Wide Live” depois de um ano e seis meses direto em turnê. A banda só gravaria novamente em 1988. A bandeira brasileira foi novamente tremulada, e o público gritava BRASIL! Os músicos fizeram uma visita ao Corcovado, assim como Iron Maiden – a foto pode ser vista no encarte do disco ao vivo. O Scorpions ganhou mais fãs depois da sua visita em nossas terras.

AC/DC: a repórter Glória Maria confessou que achava que nesse dia, seria pura pancadaria, pelo visual agressivo do público, mas a mesma confessou que sentiu que a galera queria música e diversão. Nesse dia vimos que São Paulo é a capital do rock no Brasil, pois numa reportagem antes do show, eram muitos os paulistas presente, até começaram a gritar São Paulo, numa provocação aos cariocas, mas a verdade é que foi a data aonde veio mais pessoas de outros estados, inclusive de outros países, argentinos, chilenos, poderíamos ver caravanas de Recife/PE a Uruguaiana/RS, mostrando quanto mais pesado o rock, maior a fidelidade. Angus é sem dúvida a alma da banda, pois suas performances é a marca dele. “Have Drink on Me”, “Highway to Hell”, “Wholla Lotta Rosie”, “Dirty Deeds, Dirty Cheaps”, “Shoot to Thrill”, um solo de guitarra e Angus começa a puxar a próxima música “TNT”; o vocalista Brian Johnson tirou até seu tradicional boné, rola uma introdução de blues, “The Jack” que talvez foi a mais cantada pelo público. Enfim, AC/DC, a banda perfeita, um dos maiores fenômenos de venda de disco da história da música.

Essa história foi extraída do livro: Os Festivais de Rock – uma vida rock n roll.

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