Baú da Dynamite: Barão Vermelho

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Barão Vermelho – A volta ao rock e o aprendizado com o passado
By Marcos Bragatto

Falar que o Barão Vermelho está voltando com um disco de rock soaria redundante há um certo tempo, mas hoje, a sensação é de alívio e até de certa redenção. É que o grupo, nascido sinônimo de rock no alvorecer da safra anos 80, andou tentando se renovar buscando novos caminhos nos últimos tempos, até sair de cena para priorizar projetos pessoais, dentre eles a carreira solo de Roberto Frejat, vocalista, fundador e líder natural do Barão, depois da saída de Cazuza.

Ao todo foram um disco de regravações, outro flertando com a eletrônica,e um terceiro quase acústico, só com baladas, e ainda dois de Frejat. Agora, recuperado de tais experiências, que renderam boas vendagens, o Barão volta à ativa mais rock do que nunca. Bem, mais ou menos, já que a sonoridade de “Barão Vermelho”, o novo álbum, está mais para o rock de Strokes e adjacências do que para o peso de AC/DC e outras referências do bom e velho rock’n’roll. Ainda assim, não há como negar a proclamada e saudável volta às origens.

A Dynamite conversou com toda a banda (Frejat, voz e guitarras, Fernando Magalhães, guitarra, Rodrigo Santos, baixo, Guto Goffi, bateria e Peninha, percussão), num bate papo que procurou colocar em pratos limpos toda essa história, desde “Carne Crua”, o último álbum rock do Barão, até este retorno.

Dynamite: Vocês partiram para fazer um disco de rock, ou ele é que saiu assim?
Roberto Frejat:
Tínhamos a ideia desde o começo, um disco de reencontro do Barão só se justificaria se representasse o que todo mundo imagina. Não poderíamos fazer um disco eletrônico ou “ambient”. Fomos em busca da essência do Barão, que é uma banda de rock. O disco veio naturalmente, mas procuramos não colocar muitas baladas, fazer o disco ter esse punch, com músicas para cima.

Dyna: Vocês acham que o disco teria saído muito diferente, caso o Tom Capone (produtor, que faleceu antes de o disco ficar pronto) tivesse terminado o trabalho?
Frejat:
Ele esteve presente de uma maneira tão forte que o disco não mudaria muito. Mas ele tinha certas coisas que no momento em que mixava é que ele sabia fazer, era da cabeça dele. O direcionamento que ele queria dar para o disco está presente. Ele conversou muito sobre as coisas que pretendia fazer, e o fato de mixar lá na Toca (do Bandido, estúdio) foi em função de dar sequência a tudo que já tínhamos planejado.

Dyna: O Mauro Santa Cecília fez as letras. Quem é ele?
Frejat:
Ele foi meu colega de escola. A primeira vez em que nós fizemos uma música juntos foi “Por Você”, junto com o Maurício Barros. De lá para cá temos composto bastante e ele tem parceria com todo mundo na banda.

Dyna: Como vocês escolheram as músicas que ficaram para baixar na Internet?
Frejat:
Nós queríamos que o disco tivesse 11 músicas. Como gravamos 13, duas iriam ficar de fora, e dificilmente seriam reaproveitadas porque elas têm a “vibe” desse disco. Achamos que seria um desperdício e a opção foi colocar para baixar.
Guto Goffi: Tem a função de exercitar o download do nosso trabalho original, porque para baixar essas músicas tem que ter um código que vem no disco.

Dyna: Frejat, valeu a pena fazer esses dois discos solos e agora voltar com o Barão?
Frejat:
Tudo teve seu momento. Quando eu terminei de gravar o meu disco percebi que ia fazer uma carreira, e aí nós combinamos de nos encontrar no início de 2004. Foi tudo muito certo: o disco, o tempo que eu precisava para consolidar minha carreira, o tempo que cada um de nós precisava para consolidar os projetos individuais.

Dyna: Os discos “Balada” e “Álbum” partiram de vocês mesmo, ou houve interferência da gravadora?
Frejat:
Pelo contrário, nós é que apresentávamos as idéias…

Dyna: Tinha que ser um disco de versões?
Guto:
No repertório do “Álbum” nós escolhemos as músicas que nós gostamos. Quisemos fazer porque era o nosso último disco de contrato, e queríamos guardar o material inédito para um outro contrato. Então resolvemos fazer um disco que seria fácil para nós. Mas virou um desafio, de criar arranjos para músicas já conhecidas. Tem uma coisa engraçada, eu ouvi outro dia todos os discos do Barão, e quando chegou o “Álbum”, eu achei um disco careta. Não sei se foi por causa de eu ouvir todos em sequência, mas me bateu um pouco careta. Eu acho as músicas lindas, tem tudo a ver com o universo do Barão, mas a coisa do Barão é muito intensa, aí fica muito difícil as coisas de fora terem uma expressão maior.

Dyna: E o “Balada”?
Frejat:
A MTV nos convidou para inaugurar um programa chamado “Balada”, um disco gravado ao vivo com artistas brasileiros. Eles estavam tentando tirar a obrigação de gravar o acústico com aquela forma que vem lá de fora, porque todo aquele formato de cenário e iluminação é padronizado e obrigatório. Nós fomos a primeira a fazer esse formato. Ia ser uma série, mas não continuou. Mas o nosso disco foi muito bem sucedido, vendeu na época 180 mil cópias e hoje tá chegando a disco de platina (250 mil). Ele e o “Álbum” são os nossos discos mais vendidos, fora a coletânea “Cazuza & Barão Vermelho”.

(O texto completo desta matéria você pode ler na versão impressa da Revista Dynamite nº 80)

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