Baú da Dynamite: Carbona

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Carbona: A Afirmação Do Bubblegum Nacional
By Marcos Bragatto

O Carbona apareceu no cenário do punk rock nacional com um único objetivo: tocar bubblegum. Nesses cinco anos, os seis álbuns lançados garantem ao trio composto por Henrique Badke (guitarra e vocal), Melvin (baixo) e Pedro Rocco (bateria), o posto de um dos grupos independentes mais prolíficos do Brasil.

No último, “Taito Não Engole Fichas”, o Carbona surpreende com todas as músicas cantadas em português, numa coleção de temas que incluem garotas, colégio, hamburgers, fliperamas, tênis all star e todo o universo “carbônico”. Nessa entrevista nossos heróis juvenis vão falar sobre as diferenças entre cantar em inglês e português, a hiperatividade da banda e os projetos para o ano.

Dynamite: Quando a banda começou fazendo um som muito parecido com o do Ramones, houve algum tipo de rejeição?
Melvin:
Eu tinha dúvida de como ia ser o nosso público, mas nós nunca tivemos rejeição. Nosso trabalho é mais um estilo do que uma cópia.
Pedro Rocco: Acho que o nosso som se parece mais com o do Screeching Weasel do que com o do Ramones, até pelo vocal do Henrique. Fazemos um som que até hoje ninguém faz no Brasil, que é um bubblegum típico.

Dyna: Vocês já fizeram quantas turnês?
Melvin:
Duas, a primeira nos Estados Unidos e Canadá, em 98. Nosso disco “Go Carbona Go” foi lançado pela Amp Records. Em 2001 fizemos uma turnê pelo Sul. A essa altura já tínhamos quatro CDs lançados.

Dyna: Porque vocês resolveram cantar em português?
Henrique Badke:
Nós compomos em português desde o início, mas começamos gravando em inglês, e nós nunca gostamos de misturar inglês e português num mesmo disco. Até que um dia no ensaio vimos que já tínhamos um CD pronto. Chegamos a discutir se valia a pena gravar com outro nome, mas os elementos criativos eram os mesmos e começou a virar um desafio, fazer bubblegum em português.

Dyna: Havia músicas que vocês faziam em inglês e depois resolveram passar para o português?
Henrique:
Esse não é um artifício que nós usamos. Hoje em dia eu me sinto totalmente à vontade pra fazer as duas coisas. Aproveitando a nossa condição de banda independente, vamos fazer músicas em português e em inglês. O próximo álbum do Carbona vai ser em português, por que eu tô muito empolgado.

Dyna: Você percebe a diferença quando canta uma música em português no palco, em relação a uma música em inglês?
Henrique:
O que nós levamos três anos para conquistar em inglês, tá levando agora seis meses para ter uma resposta.

Dyna: Como têm sido os shows com esse novo material?
Henrique:
Essa foi a primeira vez em que nós nos preparamos para fazer o lançamento de um CD. Nós pretendemos tocar até o final de julho. A partir daí queremos começar a preparar o próximo disco.

Dyna: Vocês lançam discos muito depressa, vocês compõem mesmo tão rápido?
Henrique:
Eu curto muito compor e nós gostamos de estar no estúdio. E também nesse gênero, que tem na simplicidade a grande virtude, talvez não tenha muito sentido ficarmos três anos para lançar um disco.

Dyna: Por outro lado ao lançar um disco próximo do anterior, ele não perde um pouco?
Melvin:
Quando nós lançamos o terceiro, quarto e quinto discos muito próximos, o “Straight Out Of The Bailey Show” passou desapercebido. É só agora um monte de gente começou a pedir esse disco.
Henrique: Se estivéssemos falando de deixar de vender 3 mil cópias para vender 40 mil, faria diferença. Mas de 3 mil para 3 e 800, não paga o prazer que nós temos de estar fazendo música.

Dyna: Depois de ter lançado seis discos de forma independente, vocês esperam ser contratados por uma grande gravadora?
Henrique
: Nós esperamos tudo do mercado independente. Eu tive minha primeira banda em 93, que foi o Barneys. Aqueles é que eram tempos difíceis. Era quase um ano para começar a ter resposta. Hoje as coisas mudaram. Nós acreditamos no nosso selo, se tiver que acontecer alguma coisa, o Thirteen vai estar na crista da onda, porque vem fazendo um bom trabalho. Em relação a major, isso não determinou nosso trabalho até hoje, mas se vir uma estrutura querendo fazer uma parceria boa para a banda, pode ser uma possibilidade.

Dyna: Melvin, você sairia do Carbona para ficar no Leela, que agora deve crescer no mercado?
Melvin:
Essa hipótese não existe, quando eu assinei o contrato eu já me certifiquei. O Leela pode ser o ganha pão, porque tem que sair grana de algum lugar. Nós já conversamos bastante sobre isso e tem um substituto ensaiando pra fazer alguns shows no meu lugar.

Dyna: Quais são os planos de vocês para esse ano?
Pedro:
Estamos querendo tocar nos festivais. Estamos na seleção de bandas para o Porão do Rock. O Abril Pro Rock esse ano não deu tempo, mas vamos tentar tocar lá no ano que vem, assim como no Humaitá Pra Peixe. Nós nunca fomos de mandar material para a imprensa e ficar correndo atrás. Mas agora resolvemos trabalhar isso e é importante tocarmos nesses festivais.

(O texto completo desta matéria você pode ler na versão impressa da Revista Dynamite nº 63)

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