Baú da Dynamite: Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá

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Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá
OS dois terços restantes da Legião
By Marcos Bragatto

O tal do “revival” do rock nacional dos anos 80 já dura tanto tempo que podemos admitir que não se trata de uma onda revivalista, mas que o rock produzido e proliferado aos quatro cantos do País, nas vacas gordas do Plano Cruzado, continua mais firme que nunca. Ainda mais se considerarmos a necessidade do mercado fonográfico em fazer relançamentos de baixo custo e grande retorno, numa época em que os álbuns do tipo acústico, ao vivo, tributo e coletâneas são a verdadeira salvação da lavoura.

É mais ou menos assim que chega às lojas “Quatro Estações Ao Vivo”, mais um duplo ao vivo da Legião Urbana, sem dúvida a banda mais bem sucedida daquele período, mesmo com a precoce morte de Renato Russo, líder e mentor do grupo, em outubro de 96, vitimado pela AIDS. O disco é um registro semelhante ao de outro álbum, “Como é Que Se Diz Eu Te Amo”, lançado há três anos, sendo que este foi gravado no Rio, em 94, e “Quatro Estações Ao Vivo”, em São Paulo, no Estádio do Parque Antarctica, em 90, e não contém, portanto, músicas dos últimos discos da Legião.

Por uma ou outra razão, a Legião virou unanimidade não só no nicho do rock nacional, mas para toda a música brasileira. É nome que figura do almoço à sala de aula, dos points rock às festas juninas. É praticamente uma unanimidade da qual só discordam aqueles que quem tirar proveito para ser diferente ou que não tenham conhecido o legado da Legião.

Mas se a Legião era uma banda, porque o passamento de “apenas” um terço dela causou o seu fim? Por que os integrantes remanescentes não deram continuidade ao trabalho, a exemplo de outros grupos de rock, como o contemporâneo Barão Vermelho? E o que andam fazendo os ex-integrantes da maior banda que o rock nacional já produziu? Fomos conversar com eles, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, num bate-papo virtual, primeiro para saber (ainda) algo sobre a Legião. E, depois, o que eles andam fazendo, quase 20 anos depois do lançamento do álbum de estréia. Confira:

Dynamite: Passou pela cabeça de vocês dois continuar com a Legião após a passagem do Renato?
Bonfá:
Nunca, por razões óbvias.

Dyna: O que vocês acharam do lançamento do “Quatro Estações Ao Vivo”?
Bonfá:
Para ser sincero, não ouvi direito, pois estou muito envolvido com o meu trabalho, que é prioridade neste momento, e que já era prioridade mesmo bem antes de a EMI propor o lançamento deste disco ao vivo da Legião. Aliás, deixei isto bem claro durante uma reunião no final do ano passado, que se o meu disco fosse distribuído pela EMI, que fosse antes da Legião, por razões óbvias mercadológicas. Mas no final nada foi cumprido e eu prezo pela minha saúde antes de ficar gritando com as paredes.
Dado: Achei um bom registro da banda, num mega espetáculo, um registro histórico.

Dyna: O que vocês lembram desse show, gravado em São Paulo, que faz ele merecer este registro?
Bonfá:
Não me lembro de coisa alguma, exceto que tinha um montão de gente, mas como disse antes, temos poucos registros ao vivo, todos bem diferentes entre si e relevantes o suficiente para serem entregues ao público e aos nossos fãs, que não são poucos.
Dado: Eu me lembro como se fosse ontem. Esse material só foi lançado pelo simples fato de ter sido gravado adequadamente.

Dyna: Vocês são consultados quando a gravadora decide lançar discos com material antigo da Legião? Existe muita coisa guardada ainda a ser colocada no mercado?
Bonfá:
Não acredito que haja muito material inédito da Legião ainda. E em se tratando de Legião Urbana (não de Renato Russo) nada é lançando sem a nossa autorização.
Dado: Os remanescentes da Legião são Marcelo Bonfá e Dado Villa-lobos, não pode existir projeto ou lançamento do grupo sem a nossa participação e aprovação. No que diz respeito à família do Renato, eles são sempre consultados e informados a esse respeito. No momento estão vetados todo e qualquer projeto envolvendo a performance da banda em audiovisual.

Dyna: Há dois anos, participei de uma entrevista na qual o Renato Rocha reclamava da saída dele da Legião, que ele havia sido praticamente expulso da banda. Foi assim mesmo? O que vocês poderiam acrescentar a este episódio?
Bonfá:
Podemos encarar da seguinte forma: ele não estava correspondendo às necessidades e expectativas da banda e foi convidado a se retirar da Legião, aceitando prontamente.
Dado: Ele é um idiota, esquizofrênico.

Dyna: E agora, por que vocês acham que a Legião tem fãs que nem eram nascidos naquela época, e sequer viram a banda tocando ao vivo?
Dado:
O repertório ainda mexe com as pessoas, o segredo foi que fizemos discos e musicas atemporais, simples para o universo.

Dyna: Como você acha que a Legião se colocaria no mercado brasileiro hoje? Que tipo de som a banda estaria fazendo?
Bonfá: A música que eu faço hoje. Música para o corpo, a mente e o espírito.
Dado: Estaríamos provavelmente fazendo cada vez menos, mantendo nosso padrão de qualidade, cada vez menos mais do mesmo.

(O texto completo desta matéria você pode ler na versão impressa da Revista Dynamite nº 75)

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