Baú da Dynamite: Fabrício Nobre

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Fabrício Nobre: O MQN e a cena goiana
By Marcos Bragatto

A entrevista era para ser sobre a turnê americana que o MQN fez recentemente. Mas basta perguntar para Fabrício Nobre (vocalista) “quais são os novos projetos”, que o cara desanda a falar. Além de tocar o MQN, junto com CJ (guitarra), Georgbas (baixo) e Miranda (bateria), Fabrício, com os parceiros Léo Bigode, Márcio Jr. e Leonardo Razuk, organiza dois festivais por ano – o Bananada e o Goiânia Noise Festival, e administra o selo Monstro. Fabrício é do tipo que não espera muito, faz de uma vez.
Toda essa experiência junto ao mercado independente acabou pautando perguntas que vão além do MQN e servem como “orientação” para que as bandas mais novas se situem em relação ao mercado fonográfico brasileiro. De quebra, aí sim, ele mostra como se faz uma turnê americana, e o que se pode tirar de lição dessa história toda.

Dynamite: Como foi a turnê americana?
Fabrício Nobre:
Foram duas semanas de turnê. Fizemos 5 shows, em 4 cidades.

Dyna: Deu pra bancar a viagem e as demais despesas com a grana da própria turnê?
Fabrício:
A presença no festival foi garantida através de uma parceria com a Motor Music. Daí fizemos a ponte para os outros shows através da parceria Monstro Discos e Estrus Recordings. Dave Crider (dono da Estrus, que veio ao Brasil ano passado com o Watts) foi quem armou os shows. Vendemos CDs e recebemos cachês nos três primeiros shows. Essa grana bancou nossas despesas. Com a grana que tínhamos da banda e do próprio bolso de cada um financiamos parte das passagens.

Dyna: Os locais onde vocês tocaram eram para quantas pessoas, mais ou menos? O pessoal lá conhecia as músicas de vocês?
Fabrício:
De 200 a 500 pessoas, quase sempre com bom público. O esquema de ter tido o apoio da Estrus foi muito legal, pois as bandas do selo têm um bom público em suas cidades e o pessoal fica curioso para ver uma banda brasileira. Vendemos bem mais CDs que venderíamos num show regular em São Paulo, por exemplo.

Dyna: O fato de vocês cantarem em inglês facilitou a comunicação com o público?
Fabrício:
Ajuda sim, mas bem que eu falei muita coisa em português e os caras se divertiram. Talvez você não entenda inglês ruim aprendido no CCAA, mas uma coisa é real: rock bom, música boa, diversão. Quem gosta do negócio entende, e todo mundo entendeu.

Dyna: “Hellburst”, o primeiro disco do MQN, saiu no início do ano passado. Vocês têm planos para gravar um novo álbum?
Fabrício:
Estamos compondo e vamos testar as músicas nos shows por alguns meses, para lançar no começo de 2004..

Dyna: Como você vê hoje o mercado fonográfico brasileiro? Você acredita no crescimento dos independentes?
Fabrício:
Acredito que chegamos a um ponto sustentável. Se a banda vende 500 discos é prejuízo, mas se vende 1000 já empata. O ideal é que cheguemos a 3000 por banda. Temos melhorar divulgação, distribuição, qualidade dos discos, reduzir custos. Quanto aos shows temos que tentar montar um circuito real e independente, mas para isso precisamos de melhores produtores, melhores casas, divulgação, para que o público aumente um pouco e os shows possam se pagar (produção local, passagens das bandas, alguma bilheteria para as bandas, algum lucro para o produtor). Uma banda tem que lançar um disco e fazer pelo menos shows em 10 cidades diferentes.

Dyna: A cena goiana tem se destacado bastante nos últimos anos, existem novos grupos aparecendo?
Fabrício:
Gosto de duas bandas em especial, Violins e NEM. Tem outras mais novas: Señores, Trissônicos, Réu e Condenado, Ressônancia Mórfica.

Dyna: Vocês não pensam em unificar os dois festivais e fazer um evento maior, com capacidade para mais público?
Fabrício:
A idéia é ter o Bananada no primeiro semestre e Noise no segundo, sempre. Não temos preguiça de trabalhar, produzimos mais que um show por semana, dois, três, quatro, cinco, dez se for preciso, festivais por ano. Devemos manter o formato da Bananada, que é de trazer as bandas mais relevantes da cena independente brasileira no ano, para um público de 800 a 1000 pessoas que gostam de rock independente. Mas temos planos para levar o Noise para um patamar maior.

Dyna: Como está a Monstro?
Fabrício:
Está muito bem. Nos próximos meses sai o álbum do Prot(o) e o do NEM. E tem também o VHS chamado “Música de Trabalho”, de Daniel Dias, que fala da cena independente do Brasil hoje e tem participações de Forgotten Boys, MQN, Hang, Butchers’, Leela, Valv, e entrevistas com Fábio Massari, Lobão, Pomba e o John, do Pato Fu. Estamos preparando um disco tributo ao Ultraje a Rigor. Devemos lançar algo da Estrus e trazer a banda para tocar, não sei qual ainda.

Dyna: Como foi pra você receber o prêmio Indie Destaque como “Personalidade”?
Fabrício:
Achei engraçado, esse lance de ter banda, selo e produtora, trabalhar feito louco e ainda ser um gato! Só pode ter sido isso. O cara quando é bonito ganha prêmios mesmo.

(O texto completo desta matéria você pode ler na versão impressa da Revista Dynamite nº 63)

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