Baú da Dynamite: Faichecleres

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Faichecleres: Com um pé na calçada da fama
By Cristiano Viteck

O primeiro disco de rock nacional de 2007 que realmente importa acaba de chegar às bancas de revista. Trata-se de “A Calçada da Fama”, o segundo álbum dos Faichecleres, banda curitibana radicada em São Paulo. O disco está encartado na revista Outracoisa, projeto capitaneado pelo músico Lobão e que nos últimos três anos se transformou numa espécie de referência não só para as bandas independentes que estão à procura de uma boa distribuição, mas também uma prova de que é possível combater a pirataria entregando ao consumidor um produto de qualidade e ao mesmo tempo barato (o CD e a revista custam R$ 15,90).

Com quase dez anos de estrada, desde 2001 os Faichecleres contam com o vocalista e baixista Giovanni Caruso, com o guitarrista e vocalista Marcos Gonzatto e o baterista Tuba Caruso. E foi este trio que lançou em 2005 o disco de estréia “Indecente, Imoral e Sem Vergonha” pelo selo gaúcho Antídoto.

As influências da sonoridade sessentista de bandas como Beatles, Rolling Stones, The Who e Stooges, da malícia do rock oitentista de nomes tupiniquins como TNT e Cascavelletes, as letras de duplo sentido como “Ela Só Quer Me Ter” e “Metida Demais”, presentes no álbum de estréia, fizeram dos Faichecleres uma das maiores revelações do “rockanalha” nacional. Assim, a expectativa para o novo trabalho era enorme.

Dá para falar sossegado do novo disco “A Calçada da Fama”. Na verdade, não existem muitas diferenças entre o álbum de estréia e este que acaba de chegar às bancas. As temáticas cafajestes e o rock sessentista continuam firmes e fortes. Produzido pela própria banda e pelo empresário e parceiro de todas as horas Ricardo Moura, “A Calçada da Fama” foi gravado a toque de caixa no estúdio Áudio Beltrão, em Curitiba, entre dezembro e janeiro deste ano.

Ao todo, o novo trabalho dos Faichecleres vem com 11 faixas. Entre elas, destaque para a faixa-título, que abre o disco com um riff para deixar qualquer um de orelha em pé prestando atenção para o que ainda vem pela frente. “É uma música irônica, mas ao mesmo tempo verdadeira e atual. Refere-se a artistas que se sujeitam a qualquer coisa para se tornarem famosos”, define Marcos Gonzatto. Outra preciosidade é “Alice D”, primeira música de trabalho, que há tempos vinha sendo executada pela banda ao vivo. A faixa, mais uma com título de duplo sentido, conta a história de uma garota beatlemaníaca que pirou o cabeção e foi parar numa clínica para curar sua paixão platônica pelo beatle John.

Disco novo com uma boa distribuição, músicas contagiantes e uma ótima produção. Só resta saber: o público de Curitiba, que por tantos anos encheu as casas noturnas da capital paranaense, principalmente o Empório São Francisco (o “Cavern Club” dos Faichecleres, onde eles tocaram semanalmente durante quatro anos), não ficou ressentido com essa mudança para São Paulo? Conforme os músicos, algumas pessoas vieram com essa conversa, mas a maioria do público curitibano entendeu que esta era uma necessidade da banda para atingir seus objetivos. “Lembramos de outras grandes bandas de Curitiba que morreram lá, acabaram desistindo. Ou ficávamos tocando cover em barzinho ou lutávamos por aquilo que a gente queria pra nossa vida, que é chegar mais longe como artista de rock”, justifica Giovanni Caruso. A exemplo do que já havia ocorrido no trabalho anterior, “A Calçada da Fama” também vai ganhar uma tiragem em vinil, limitada em 300 cópias e numerada. Mas, independente se é em vinil ou em CD, o importante é que os Faichecleres estão de volta e, o que é melhor, do jeito que o diabo gosta!

(O texto completo desta matéria você pode ler na versão impressa da Revista Dynamite nº 92)

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