Baú da Dynamite: Golpe de Estado

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Golpe de Estado – Bota pra poder
By Alexandre A. Rios & Marcelo Teixeira

O Golpe de Estado, uma lenda viva do hard rock nacional, está vivendo um novo ciclo: depois de sete anos sem lançar nenhum trabalho, está saindo o sétimo disco, intitulado “Pra Poder”, o primeiro inteiramente sem o vocalista Catalau, que saiu em 97, sendo substituído por Rogério Fernandes. Rogério chegou a gravar duas músicas de estúdio com o Golpe, que saíram no álbum “Dez Anos ao Vivo” (sendo que as músicas ao vivo foram gravadas por Catalau), mas logo foi substituído por Kiko Muller, que foi vocalista da banda paulistana Tomate Inglês.

Nesta entrevista eles contam como rolou o processo de gravação do novo disco, planos para o futuro, como eles vêem a cena de hoje, a entrada do Kiko, projetos paralelos, e a vontade que eles sentem de encontrar de novo o público, que sempre foi fiel. Confira os principais trechos da entrevista feita com toda a banda, hoje formada por Kiko Muller (vocal), Paulo Zinner (bateria), Nelson Brito (baixo) e Hélcio Aguirra (guitarra).

Dynamite: Vocês lançaram o último disco em 97. Como foi a concepção, como surgiu a idéia deste novo trabalho?
Kiko Muller:
Quando eu entrei, em 2000, algumas músicas já estavam prontas e eles mostraram para mim, no violão, principalmente “Helena” e “Cactus”. O resto foi fluindo naquele ano e no ano seguinte.
Nelson Brito: Na verdade, desde 97, com o Rogério, algumas músicas já estavam meio encaminhadas. O Rogério foi para o Noni Brothers (banda cover de classic rock), e ficamos uma época sem cantor, ficou difícil desenvolver. Quando o Kiko entrou, pegamos as músicas que estavam meio prontas, finalizamos e começamos a trabalhar. O projeto era voltar e gravar um disco.

Dyna: Por que só em 2004 as músicas foram finalizadas, houve problemas de gravadora?
Nelson:
Em 2002 nós já ensaiávamos e tocávamos umas músicas ao vivo e começamos a procurar um estúdio para gravar.
Hélcio Aguirra: Até gravamos demos em vários estúdios.
Paulo Zinner: Passamos por alguns estúdios, pré-produções, até o estúdio do Korzus.
Nelson: Estamos gravando há um ano, desde maio do ano passado.

Dyna: O que diferenciou o estúdio do Marcelo Pompeu (Korzus) dos outros estúdios?
Hélcio:
Material Humano. Nós ouvimos alguma coisa que saiu por lá, até mais pesado que o Golpe. O Baranga saiu por lá, e o resultado final ficou legal. E outras coisas que nós escutamos, rock’n’roll até mais pesado que o nosso, e ficaram bem legais. Uma coisa acaba levando a outra.
Nelson: Encontrei o Pompeu no Sesc Pompéia, ele estava tocando lá e o Kiko ia estrear no Golpe, era o primeiro show. Falei isso ao Pompeu ele disse: “Pô, vamos tocar no mesmo dia”. Depois de alguns meses e ele falou: “Vão ao meu estúdio, vocês precisam conhecer, vão gravar lá, é legal”. Daí, um dia eu tava na casa do Kiko, e decidimos ir lá. Conhecemos, conversamos com ele e depois de uns quinze dias começamos a gravar.

Dyna: Quanto tempo durou a gravação?
Hélcio:
No Pompeu, de maio de 2003 a junho de 2004.
Paulo: Gravação, mixagem e masterização. E muito videogame, jogo de botão… Se for contar entre mixagem e a masterização foi julho e agosto.

Dyna: Por que vocês mesmos resolveram produzir o disco?
Paulo:
Na verdade, mesmo com produtores, éramos nós que produzíamos. Tínhamos em quem jogar a culpa, hoje não temos mais.
Nelson: Os próprios Pompeu e Heros produziram boa parte, captação, tudo foram eles que fizeram.

Dyna: O Kiko mostrou entrosamento total com a banda, sendo muito bem aceito pelos fãs…
Kiko:
Pois é, não é um trabalho fácil, seria mais fácil entrar numa banda nova e não no Golpe, onde os cantores marcaram na banda. Catalau é um dos maiores compositores do Brasil, o Rogério canta pra chuchu. Eu tinha que chegar junto da galera. Foram quinze dias, entre o convite e o show, para tirar quinze músicas, uma por dia. Eu já era fã de Golpe desde 97. Conheci os caras em 91, 92. No Britânia, tocamos juntos.

Dyna: A concepção da capa, com o logo do Golpe, é simples, mas representativa…
Kiko:
Foi o presidente do fã clube que foi mexendo nisso, pegou o antigo logo, fazendo transformações e desenvolvendo até chegar a esse resultado.

Dyna: A sonoridade mudou alguma coisa? E mais melódico ou mais pauleira?
Paulo:
Não tem uma fórmula. Conforme vamos tocando, vamos sentindo aquele momento. Não falamos: vai desse lado ou daquele. Conforme vamos tocando, vai dando a cara da música. Depende de como estarmos no momento, da interpretação de quem está tocando.
Kiko: O Golpe sempre foi assim, uma coisa natural. Cada um faz o que quer dentro de um contexto.

(a íntegra desta entrevista você lê na versão impressa da Revista Dynamite 80)

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