Baú da Dynamite: Gótico Caboclo

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Gótico Caboclo ou Dissonância Tropical
By Morpheus Affinito

A cena alternativa brasileira, mais especificamente na vertente do gótico, em suas variadas manifestações, parece finalmente voltar à tona, após anos submersa. Obviamente que não se trata de um boom, isso costuma retratar coisas passageiras, modas em sua ligeira consistência. Falo de um acentuado nivelamento orquestrado por grandes festas ocasionais (as famosas “raves” góticas, organizadas pelo pessoal da Thorns e também do grupo The Mausoleum), sem contar a quantidade de casas do gênero que existem atualmente em São Paulo, além do número crescente de bandas em todo o país, que vão desde o “dark” (rock nacional no gênero do Finis Africae e Hojerizah), passando por bandas mais fiéis aos percussores ingleses e germânicos (Fields, X-Mal, Sisters, etc…), até mesmo aquelas que seguem o fio da nova onda, do “gothic metal”, atualmente o representante mais comum do gênero.

Se a mídia tradicional optou por abafar ou bombardear o gênero, com a popularização da Internet a história mudou. Para tanto que podemos nos orgulhar de termos o portal de cultura obscura www.carcasse.com.br – ligado ao www.gothic.art.br como nosso representante oficial no último livro do especialista em gothic rock, Mick Mercer. Graças a uma considerável quantidade de listas de discussão, as pessoas interessadas puderam se reunir ocasionalmente para organizar sarais literários, shows, performances ou simplesmente para trocar figurinhas.

A cena atualmente conta com uma gama de bandas fantásticas, cujas influências vão desde os lisérgicos anos 60 até o minimalismo sincretizado dos anos 80: pudemos avaliar o interesse do público no Festival com as bandas da coletânea De Profundis, que aconteceu em 25 de maio passado na casa noturna Tribehouse em São Paulo. Com um público grande, por volta de 400 pessoas, que compareceram única e exclusivamente para prestigiar as bandas que se apresentaram no palco daquela memorável noite, quando as pistas permaneceram lotadas durante todas as apresentações. O mérito também se deve ao Zé Carlos, que organizou todo o evento, ao DJ Giva por sua grande ajuda e, sobretudo, ao público, que estava de parabéns por mais essa agradável surpresa.

De Profundis – Brazilian Darkwave Collection

01. Lunatic (The Tears of Blood)
02. Days (Das Projekt Der Krummen Mauern)
03. Anajs (Elegia )
04. Rosalia (Vesuvia
05. Bird (Mercyland)
06. Never Be the Same (The Tears of Blood)
07. I Could not Stop for Death (Das Projekt Der Krummen Mauern)
08. Spell in the Cathedral (Elegia)
09. I Kill the Minotau (Vesuvia)
10. Come to Me (Mercyland)
11. Cold Room (The Tears of Blood)
12. Phoenix (Das Projekt Der Krummen Mauern)
13. Strix (Elegia)
14. Sofia (Vesuvia)
15. So (Mercyland)

A ideia primordial surgiu, como nas grandes revoluções, na mesa de um bar. Marcos Dutra, Zé Carlos (ambos do Tears), Herr Markus (Krummen) e eu nos encontramos para uma rodada de cerveja num boteco da zona leste, quando expuseram sua idéia de montar uma nova coletânea com bandas do cenário “darkwave” paulista. Como a primeira experiência (“Violet Carson”) contou com 15 bandas de boa parte do Brasil, ficou definido que um menor numero de bandas iriam compor o CD desta vez, 3 delas decididas de primeira mão: The Tears Of Blood, Das Projekt Der Krummen Mauern e Mercyland.

Como fui convidado para produzir, insisti no nome do Elegia, banda que estava escutando muito naqueles dias, o que também agradou aos demais, por sua vez todos expuseram outros candidatos à vaga: Stale Bread e Der Kalte Stern, que não puderam participar devido à problemas em suas respectivas formações na época e graças à qualquer eventualidade do destino pudemos contar com o então vulcão adormecido: Vesuvia, preenchendo o quadro de participantes.

Definidos os papéis de todos, o tempo correu entre gravações de estúdio, ideias quanto ao nome da coletânea, arte e afins, culminando no trabalho que muitos têm em suas mãos atualmente: responsável, de alto nível e extremamente emocional, como jamais poderia deixar de ser, quando algo manifesta-se passionalmente em função de um sonho, um ideal.

Enfim, mais um passo para divulgação de nossa sonoridade, recheada de poesia e sentimentalismo (nada piegas) num mundo que vem se tornando cada vez mais frio e calculista. Contando com organização do Zine De Profundis e masterizado por Luiz Calanca, saindo por seu selo Baratos Afins (www.baratosafins.com.br). A quem interessar, aprecie.

(O texto completo desta matéria você pode ler na versão impressa da Revista Dynamite nº )

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