Baú da Dynamite: Korzus

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Korzus: Atualizando o thrash metal
By Marcos Bragatto

Se existe uma banda que como um felino tem sete vidas, essa banda é o Korzus. Com infindáveis mudanças em sua formação, o grupo, que tem origem no alvorecer do metal nacional, em plenos anos 80, volta a gravar um trabalho com músicas inéditas após oito anos de seca. E que trabalho. “Ties Of Blood” traz de volta o bom e velho thrash metal oitentista, mas o atualiza com uma excelente produção, a cargo do vocalista Marcello Pompeu e do guitarrista Heros Trench. Também não era para menos, os dois têm estúdio próprio e vêm produzindo várias bandas nos últimos anos, o que lhes deu o estofo necessário para o trabalho brilhante que fizeram com o Korzus.

Outro “plus” em “Ties Of Blood” é a participação de vários ícones do heavy metal nacional, que contribuíram para esse (já) clássico álbum. Andreas Kisser (Sepultura), João Gordo e Boka (Ratos de Porão), Redson (Cólera), Hélcio Aguirra (Golpe de Estado) e até o afinado André Matos (Shaman) deram o ar da graça.

Conversamos com o guitarrista Silvio Golfetti (completam a formação o baixista Dick Siebert e o baterista Rodrigo Oliveira), que contou maiores detalhes sobre a gravação de “Ties Of Blood” e a atribulada trajetória da banda, que por pouco não seguiu os passos do Sepultura em uma bem sucedida carreira internacional. Confira:

Dynamite: No “KZS” vocês trabalharam com um produtor internacional. Por que vocês resolveram, dessa vez, fazer o disco com o Heros e o Pompeu?
Silvio Golfetti:
O fato de o Heros e do Pompeu terem um estúdio aqui em São Paulo e de eles já terem trabalhado com diversas bandas foi decisivo. Esse processo do disco foi longo, começamos a compor as primeiras músicas em 97, 98. Mas foi só em 2000 que nós pegamos para valer na parte das composições, acertamos algumas ideias e entramos em estúdio em 2003.

Dyna: Por que demorou tanto este processo?
Silvio:
Nós não tínhamos nenhum selo, e todo mundo tem outras atividades além da banda, que tomam tempo demais. Então fomos fazendo na medida do possível. Fizemos duas pré-produções, o que ajudou a definir a timbragem e a afinação em dó. No meio desse processo eles compraram um equipamento novo, e fomos aproveitando isso também. Por isso que levou um tempo legal, e também o fato de termos ficado a vontade, sem pressa.

Dyna: A intenção era fazer um disco retrô, com a cara dos anos 80, mas ao mesmo tempo contemporâneo?
Silvio:
A coisa fluiu naturalmente. Nós sempre buscamos utilizar a tecnologia o máximo possível, para beneficiar a qualidade do som. Mas o que prevalece é o nosso gosto. A pegada do nosso som é o thrashão mesmo, que nós sempre gostamos de fazer, com as coisas mais modernas, porque com o tempo você amadurece como compositor. O diferencial deste disco é que estamos usando uma afinação mais grave, e só isso, com uma gravação bem “na cara” como a que nós fizemos, já deixa o som mais atualizado. E com os riffs que consagraram bandas de thrash, como Slayer, Exodus, Metallica. As músicas são muito diferentes umas das outras, tem muita palhetada, bumbos, coisas melódicas até, uns dedilhados…

Dyna: A música “Ties Of Blood” tem uma pegada meio Sepultura fase “Roots”, você concorda?
Silvio:
É uma coisa estranha. A ”Correria” já me falaram que tem uma pegada Soulfly, e a “Ties Of Blood”, na verdade, quando eu fiz o primeiro riff eu achei que lembrava “No More Tears”, do Ozzy. Mas surgiu do nada, então eu não mudei. Eu não vou negar que tenho influência de Ozzy, Zakk Wylde, é impossível não falar isso.

Dyna: Vocês estão pensando em voltar a cantar em português, ou essas duas músicas neste disco são exceções?
Silvio:
Elas foram saindo, não programamos. O Pompeu tinha várias letras em português, e algumas foram encaixando. E também a letra tinha muito a ver o som, nas duas músicas.

Dyna: O Korzus sempre foi muito comparado com o Slayer. Vocês concordam com isso? Incomoda?
Silvio:
Nem um pouco, nós nunca negamos que sempre fomos fãs e influenciados pelos caras. Já fizemos shows com eles, temos o maior respeito, gostamos muito de tudo o que a banda passa. Nós temos a pegada dos anos 80 que não tem como negar, aquela coisa meio “malvada” até. No disco tem coisas que lembram Slayer, sim, mas tem muita coisa que não tem nada a ver com Slayer também. Não tem como negar que nós temos uma pegada Exodus, uma pegada Slayer, e uns hardcore meio Biohazard que nós gostamos também.

Dyna: Nos anos 90, quando o Sepultura estourou no mundo todo, vocês vieram na seqüência. Vocês chegaram a pensar que depois tudo iria acontecer com vocês também?
Silvio:
Certamente. Eu acho que faltou… Nós não trabalhamos direito o lado profissional. Voltamos da primeira turnê e tivemos que trocar de baterista, o que já quebrou a unidade da banda. O Korzus sempre teve bons bateristas, e a bateria é a parte mais difícil de se tocar no Korzus. Naquela época nós achávamos que a coisa ia virar para nós também, tínhamos um disco bom, o “Mass Illusion”. Mas a mudança na formação é que quebrou as pernas. Demoramos para arrumar o Ricardo Confessori, que depois teve uma proposta do Angra. Fizemos uma turnê na Europa e tivemos uma receptividade boa, mas não demos continuidade, não conseguimos lançar o disco lá.

(a íntegra desta entrevista você lê na versão impressa da Revista Dynamite 75)

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