Baú da Dynamite: Lava

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Lava – O vulcão do rock underground
By Rafael Martins

O Lava surgiu em 1996, de uma reunião de amigos com a missão comum entre todas as bandas: mandar um rock. Unindo punk rock, hard, 70s, alternativo e surf com influências próprias, eles seguem com um som que se definiu com integrantes que já tocaram em bandas como Pin-Ups, Dogschool, Auto, Dominatrix, Kit Kat Klub, e No Violence. A formação atual conta com Silvana (vocal e teclados), Helena (bateria), Danilo (guitarra), Eliana (guitarra e vocal) e Alexandra (baixo e vocal).

Lava – La Motocyclette

O álbum lançado em dezembro, “La Motocyclette”, mostra a qualidade do Lava. O som acrescenta em grande estilo ao frutífero cenário independente da cidade, e mostra que bandas cada vez mais legais estão surgindo.
A Dynamite conversou com a Alê, que contou sobre a gravação deste disco e sobre a estúpida competitividade que existe entre bandas underground, um dos motivos que a levou a deixar o Pin-Ups.

Dynamite: Como rolou a gravação?
Alê:
Resolvemos fazer uma demo e oferecer para uma gravadora. Já que pagamos do bolso, transformamos num disco. Fizemos umas seis músicas, e a Thirteen topou prensar, mas na época estava sem grana para investir em estúdio e nós teríamos que esperar. Como não queríamos, acabou saindo no Kuaker, e em um mês estava tudo pronto.

Dyna: Com tantas formações que a banda já teve, tudo isso influenciou o estilo de vocês como é hoje?
Alê:
Todos nós ouvimos coisas diferentes. Existe, lógico, um ponto em comum, todas nós gostamos de bandas femininas… Todas não, tem o Danilo…

Dyna: Eu ia te perguntar se ele não se importa de estar em uma “banda de garotas”…
Alê:
Não, nós o chamamos de “Danila” e ele se dá muito bem com isso. É o preço que se paga por tocar com quatro meninas. Ele é muito sacaneado, mas é inveja porque ele fica o dia com as quatro gatas no estúdio. Gostamos de The Donnas, AC/DC, rock dos anos 60, 70, mas cada um tem suas influências pessoais.

Dyna: E a Isabela, vocês chegaram a ter uma DJ na banda?
Alê:
Na verdade ela não era DJ, só soltava nossas bases. Ela tem uma loja muito legal que se chama Mono, e tem que tocar a vida dela. Mas teve uma época que nós queríamos ter uma DJ, mas não deu muito certo.

Dyna: Em uma entrevista do Hats, a Eliana disse que acha que o nosso underground não tem como crescer, o que você acha?
Alê:
Eu já to velha pra ter esperança, já tenho 32 anos e tô nessa desde os 14. Eu acho que hoje existem muitos lugares legais para bandas independentes se apresentarem, mas são lugares que promovem festivais, no Sesc, no Centro Cultural, mas ai é tudo tão burocrático, você precisa ter OMB e eu não sei o quão underground é isso. Então para mim, underground continua sendo fazer shows na Funhouse, no Juke Joint, no Orbital, no Hangar e as condições são as mesmas de sempre. Uns pagam outros não, mas acho que os equipamentos das casas noturnas estão um pouco mais decentes. O que mudou muito é o número de pessoas envolvidas e interessadas, então têm muito mais gente nos shows, páginas na Internet, fanzines eletrônicos. Aliás menos revistas e mais fanzines eletrônicos, uma coisa que me incomoda um pouco.

Dyna: Por que?
Alê:
Porque eu não faço parte disto ai. Mas não é relutância, é falta de hábito, não que eu não queira me atualizar quanto a isso, eu entro em site de bandas que eu gosto, mas eu não acesso PunkNet, Portal do Rock, eu não busco essas notícias na Internet, prefiro ainda ter a assinatura de uma revista que eu leve pra qualquer lugar.

Dyna: É difícil descolar para tocar nesses lugares que você citou?
Alê:
Nunca foi, a cena é sempre aberta. Talvez eu esteja falando isso por ser quem eu sou, as pessoas já me conheciam do Pin-Ups, do MR8 ou do Gordo. Mas eu sei que tem bandas que não conseguem marcar shows em São Paulo. Para quem é de São Paulo é fácil marcar shows no Hangar, eles tem uma noite para bandas novas, se você conhece uma banda um pouco mais estabelecida pede para abrir os shows.

Dyna: E hoje em dia qual é o meio mais fácil?
Alê:
Acho que pela Internet, fazer como o CPM, mandar clipe para a MTV, mp3 para o Punknet, e em primeiro lugar fazer música boa. Esse não é o caso do Lava, que trabalha do jeito antigo, tocando e lançando CDs.

Dyna: Por que o Pin-Ups acabou?
Alê:
Porque acabou só o Zé pode responder. Eu aí porque estava muito cansada, sabia que não tinha muito para onde ir. E existe um problema, que é muita competição, principalmente na cena metal e guitar, ai eu comecei a carregar um estigma que eu não queria. Era final de 2000 e eu já ia ter bebê e tudo deu certo.

Dyna: E com o Lava?
Alê:
Com o Lava eu espero não ter que viver isso, mas na verdade eu não vou tomar conhecimento. O Lava é uma banda leve, sem compromisso. Com o Pin-Ups lançávamos um disco e era aquele alvoroço, 50% ouvia para curtir e 50 para meter o pau, isso me cansava. Aposto que continua para o Butchers, para o Pullovers e para todo mundo que ta aí. Mas eu não quero nem saber, foda-se.

(O texto completo desta matéria você pode ler na versão impressa da Revista Dynamite nº 63)

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