Baú da Dynamite: Os Pedrero

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Os Pedrero: Muita pose e barulho!
By Marcos Bragatto

Há uns anos atrás era totalmente improvável que uma cena rock capixaba tomasse forma. Mas hoje tudo mudou, e faltam dedos nas mãos para contar a quantidade de boas bandas que aparecem por lá. Entre elas está Os Pedrero (escrito assim mesmo), banda que investe na mistura de hardcore tosco com hard rock, e tem a pretensão de transformar seus integrantes em rock stars(!?).

O grupo nasceu em 97, formado por músicos de outras bandas locais como o já famoso Mukeka Di Rato e Os Mobral. De lá para cá já saíram três discos, “Hard Rock Dreams” (98), “Estilo Selvagem Rock’n’roll” (2001) e o recém lançado “Cavera Y Macaco”. A formação atual conta com Tonny Powzer e Jhonny Larva (guitarra/vocal), Mr. Rotten Wine (baixo/vocal) e Big Black Bastard (bateria).

Conversamos com o Mozine (que dizer, Mr. Rotten Wine), que além de tocar n’Os Predrero, no Merda e no Mukeka, ainda comanda o selo Läjä Records, que tem se especializado em lançar as bandas mais toscas e pesadas do Brasil, além de surpreender com grandes títulos do underground internacional. Saiba mais sobre a banda que promete tomar o lugar dos Menudos e ainda revolucionar o hard rock:

Dynamite: Por que vocês escolheram o nome Os Pedrero?
Mr. Rotten Wine:
Acho que o nome é mais ou menos de acordo com “style” da galera que toca na banda. Eu roubei esse nome de um amigo meu do Rio, o Luis, que é o pedreiro mor.

Dyna: Quando a banda nasceu vocês já pensavam num deboche com essa coisa dos rock stars, ou isso veio depois?
Wine:
A banda é formada por pedreiros, neguinho de Vila Velha (cidade vizinha à capital capixaba), roça, que freqüenta o “Caga Sangue”, o postinho de Coqueiral de Itaparica. Então querer ser rock star é difícil. Em todos os nossos discos, desde 98, buscamos referências posers, bregas, roqueiras e bubblegum, mas acaba saindo hardcore porque o braço é torto, por mais que queira fazer um bagulho bonito sempre sai agarrado, é foda.

Dyna: Alguém na banda é fã de hard rock ou tudo é deboche mesmo?
Wine:
Esse bagulho de hard rock tá em alta, né? Agora ainda mais com essa banda Darkness na parada… A banda sempre teve referências hard rock e bubblegum. A música “Heavy Metal Night”, do disco “Hard Rock Dreams”, é um bom exemplo. Mas no nosso caso a intenção era sempre fazer uma coisa ridícula e poser, só que aliado a nossa “noiabice” e a falta de técnica e de vergonha na cara. Mas gostamos de hard rock sim.

Dyna: Por que vocês adotaram nomes fictícios?
Wine:
Sei lá, por ser idiota mesmo! Esses nomes sempre mudaram, mas desde o “Estilo Selvagem Rock’n’Roll” que eu me sinto “Mr Rotten Wine”, é uma entidade, praticamente.

Dyna: Vocês se identificam com bandas como o Darkness, por exemplo?
Wine:
Golpes de marketing, estratégias para vender disco, pesquisa de mercado, jabás a parte… Porra, é uma puta banda, achei legal o que ouvi deles e achei engraçado pra caralho. Ainda não ouvi o disco todo, mas estou com vontade. Mas as bandas de rock que eu gosto mesmo são outras, como Zeke, Adam, Silicon Dick, Motosierra, Accidents, The Krauts, Dogmatic Salamander, Teengenerate, Guitar Wolf e Nashville Pussy, além das clássicas. Quando saiu esse disco do Darkness eu fiquei meio bolado, porque nosso disco tava gravado e mixado. Nós tocamos uns hard rock “favela” desde 97, mas pensei que neguinho iria falar: ”Olha lá, imitando o Darkness”.

Dyna: Fale um pouco sobre o último disco, como foi gravado, o que há de diferente em relação aos anteriores:
Wine:
O “Hard Rock Dreams” foi gravado com a primeira formação, power trio, outro vocalista/guitarrista, acho que a influência é mais bubblegum e menos hard rock. Depois, com a segunda formação gravamos o “Estilo Selvagem Rock’n’roll”, que na nossa cabeça definiu o estilo da banda, rock brega e pesado em português/espanhol/inglês. Acho que o terceiro disco seguiu na linha do segundo, mas é o básico de sempre, foi todo gravado e mixado em míseras 15 horas, muitos dos vocais são todos de primeira, os solos são também quase todos de improviso, tirado das guitarras guia e a mixagem é horrível e desigual. Mas tem o espírito d’Os Pedrero.

Dyna: Por que o título “Cavera Y Macaco”?
Wine:
Não lembro como chegou esse nome, mas eu acho que, uma vez, voltando de um (show de) rock, estávamos um pouco alterados e falamos que íamos fazer um filme, e que tinha que ter caveira porque tava na moda e é o símbolo do rock. E tinha que ter macaco, não sei por que. Aí tínhamos aquelas mascaras de macaco e de caveira, pegamos dois cobaias e botamos nas roupas, e aí, pronto.

Dyna: Fale sobre a música “Roberto Carlos Allin”, como surgiu a idéia de juntar os dois:
Wine:
Como bons capixabas, somos amantes do Rei. E o GG Allin sempre vai ser a inspiração eterna, como ele mesmo cantava em “Shoot, Knife, Strangle, Beat And Crucify”: “we are the real rock’n’roll underground”. O cara era um Deus, então, juntamos os deuses.

Dyna: As “Predreiretes” vão participar dos shows também?
Wine:
Não, mas aqui no Espírito Santo é bem provável, elas são sucesso total entre os jovens de 14 anos.

(a íntegra desta entrevista você lê na versão impressa da Revista Dynamite nº 75)

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