Baú da Dynamite: Programa Garagem

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Programa Garagem – Luz no fim do dial
By Yra Jr

Em São Paulo, temos quatro opções de rádio FM que são possíveis de se escutar sem entrar em muita crise: 89FM, Mix, Brasil 2000 e Kiss. As três primeiras têm uma programação similar e eclética, com pop, rock, reggae etc e a última é classic rock do começo ao fim. Até aí não é novidade nenhuma pra quem mora aqui – mas é um objeto de desejo de qualquer brasileiro que curta rock e não tem acesso a este tipo de programação em sua cidade natal.

O que é novidade (pero no mucho, pois o programa já está no ar há 2 anos) é o Garagem, sinônimo de bom gosto musical com humor ácido e corrosivo de seus apresentadores, o que me levou a achar que há luz no fim do dial. O programa é tão cool que parece que tem uns amigos no fundo da casa fazendo um programa, tomando cerveja. Confira esta entrevista feita com o empurrãozinho da Larissa e a participação especial de Paulão e André.

Dynamite: O que é o Garagem?
Paulão:
Garagem é um programa de rádio de rock alternativo, semanal, transmitido ao vivo toda segunda, das 23h à 1h, pela Brasil 2000 (107,3 MHz), em São Paulo (SP). Também via web (www.brasil2000.com.br ou www.garagem.net).

Dyna: Quem tá na batalha?
Paulão:
André Barcinski, autor da biografia do Zé do Caixão e que atualmente faz reportagens especiais para o Altas Horas (TV Globo); Paulo César Martin, ex-editor do caderno Folhateen (Folha de S. Paulo) e ex-secretário de redação do Notícias Populares; Álvaro Pereira Júnior, correspondente da TV Globo em São Francisco (EUA) e colunista do caderno Folhateen.

Dyna: Qual a proposta do programa?
Paulão:
O Garagem é, basicamente, um programa de rock que se propõe a tocar as músicas que não estão na programação habitual da rádio. A característica mais marcante do Garagem é uma mistura de modernidade com cultura popular brasileira. Assim, o programa traz sempre um convidado, geralmente um ícone de nossa cultura pop.

Dyn: Cite alguns…
Paulão:
Ratinho, Fernanda Lima, Gastão Moreira, Marcelo Rubens Paiva, Wando, Tiririca, Rita Cadillac, Pedro de Lara, Supla, Tiazinha, entre outros. Ao mesmo tempo, bandas da última geração do rock internacional, como Yo La Tengo, Man or Astroman?, Superchunk, Morcheeba, Supreme Beings of Leisure, Exploited, Mudhoney, Buzzcocks e GBH já se apresentaram ao vivo no programa.

Dyna: Quais bandas brasileiras que vocês acham mais legais. Do underground e do mainstream?
Paulão:
Sepultura e Ira!, das que estão por aí gravando em selos importantes. O CPM 22 faz shows muito bons, mas precisa de um disco que retrate mais sua energia ao vivo. Das que ainda estão no underground gosto dos shows do Forgotten Boys e do Blemish.
André: Mais conhecidas, Ratos e Sepultura. Das alternativas, achei legal o CD do Walverdes e curto as produções de techno do Renato Cohen.

Dyna: O Garagem tem feitos festas esporádicas bem legais. Vocês não pensam em criar algo mais permanente?
Paulão:
As festas do Garagem são um fenômeno! Elas têm clima de festa de colégio. É uma reunião de pessoas que têm ideologias parecidas e que se ‘acabam’ numa pista de dança. Em 2001, fizemos festas de 15 em 15 dias. A idéia para 2002 é que tenha festa do Garagem toda sexta-feira.
André: Na boa, as festas do Garagem são as mais animadas de SP; a galera é muito fiel e a vibe é ótima. Temos feito todas no Galpão 16 (r. Fradique Coutinho, 1416), na Vila Madalena.

Dyna: Quando finalmente o site de vocês vai estar atualizado? Há tempos eu ouço que este dia esta chegando…
Paulão:
No início de 2002 o www.garagem.net vai estar tinindo.
André: Estávamos com um problema de pessoal, mas já estamos resolvendo.

Dyna: Quais os caminhos indicados para as bandas independentes entrarem no mercado?
André:
Tem que trabalhar, suar a camisa, correr atrás, tocar em tudo quanto é espelunca, encher o saco de gravadoras, montar seu próprio site, organizar festivais, fazer fanzines, gravar CDs, fazer uma assessoria de imprensa legal, enfim, viver a banda 24 horas por dia. Eu vejo um monte de gente que fica o dia inteiro fumando maconha em casa e depois fica reclamando: “Pô, não tem espaço pra tocar na cidade, que merda!” Sabe o que os Ramones fizeram quando não tinham espaço para tocar? Alugaram um buraco e fizeram o próprio show.

(O texto completo desta matéria você pode ler na versão impressa da Revista Dynamite nº 58)

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