Baú da Dynamite: Ramirez

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Ramirez: Banda revelação do Prêmio Dynamite trabalha sério e vai ganhando espaço
By Marcos Bragatto

Tudo está acontecendo muito rápido para eles. De ilustres desconhecidos há pouco mais de um ano, os integrantes do Ramirez passaram a ser reconhecidos em shoppings e a dar autógrafos, ficam boa parte do tempo respondendo dúvidas de fãs de todo o País no site oficial, e agora (até) recebem cachê para tocar, coisa não muito comum para bandas iniciantes que lutam por espaço no underground.

Nesse período, a banda, formada por Tiago Pedalino (guitarra e vocal), Rafael Cosme (guitarra), Frank Dias (baixo) e Matheus Araújo (bateria), venceu o Prêmio London Burning nas categorias “melhor demo” e “melhor música” (“Alguém Melhor”), e foi a banda revelação da terceira edição do Prêmio Dynamite de Música Independente, numa votação via Internet que contou com mais de 60 mil votos. E ainda foi disputada para tocar em dois dos mais representativos festivais de novas bandas do País, que aconteceram no mesmo final de semana: Bananada, em Goiânia, e Mada, em Natal.

Mas isso não acontece ao acaso. “Nos dedicamos exclusivamente à banda, somos organizados, sentamos com o nosso produtor e planejamos cada passo”, nos contou Tiago Pedalino, em entrevista à Dynamite. Ele e Rafael Cosme deram mais detalhes da banda que tem tudo para ingressar no mercado fonográfico, e pela porta da frente. Pelo menos foi o que disseram os mais de 10 mil internautas que votaram neles no Prêmio Dynamite.

Dynamite: Como a banda foi formada? Por que esse nome?
Tiago Pedalino:
A banda começou em 2000, em Caxambu, no interior de Minas, com uns amigos, só que era uma coisa mais de brincadeira. Quando eu quis levar a sério, a galera que tocava comigo seguiu em outros lances. Depois voltei para o Rio. O nome Ramirez vem do antigo baterista. Ele se chamava Ramon e o pessoal sempre zoava, chamando-o de Ramon, Ramon Ramirez, Ramirez. Um dia, na primeira vez em que convidaram a banda para tocar, não tínhamos um nome, aí um outro amigo nosso falou: “por que você não põe Ramirez?” E foi ficando até hoje. Eu vim para o Rio, montei uma banda com outra galera, que já era mais séria e gravamos nossa primeira demo. Muita gente fala que é uma banda de Minas que veio tentar a sorte no Rio, mas não é. Foi no Rio que entrou o Frank e um pessoal que ficou um tempo conosco, mas que por outras prioridades saiu da banda. Aí entraram o Rafael e o Matheus.

Dyna: Como foi a ida para São Paulo para a entrega do Prêmio Dynamite, vocês foram achando que iam ganhar?
Tiago:
Não, porque concorríamos com bandas boas, como o Vamoz!, o Nervoso, e como o pessoal do The Feitos, que foi no ônibus conosco. Achamos que eles iam ganhar, eles estavam muito contentes. Nós curtimos a viagem pra caramba, foi legal só de estar na festa.
Rafael: Foi o maior incentivo nós termos vencido porque fomos direto para Natal (tocar no Mada). Foi a maior emoção quando a Bianca (Jhordão, do Leela, que entregou o Prêmio) falou o nosso nome.
Tiago: Foi melhor ainda porque nós somos parceiros, gostamos deles pra caramba, foi bom ter recebido o Prêmio das mãos deles;
Rafael: E também porque as bandas do Rio ganharam o mesmo prêmio por dois anos seguidos.

Dyna: Como foi a experiência de tocar no Mada?
Tiago:
Foi a maior emoção, o maior palco e o maior público para o qual nós já tocamos.
Rafael: Som bom, emocionante, muita gente veio falar conosco depois do show, mandam e-mail até hoje. Saiu uma matéria muito legal no Alto-Falante, que passa na TV Cultura de sábado para domingo. A nossa banda foi a única entrevistada, a que ficou mais tempo no ar. Tudo agora é um pouco fruto do Mada, aparecemos bastante na mídia, tivemos mais acessos no site. Aquela semana do Prêmio e do Mada foi decisiva.

Dyna: Vocês terminaram de gravar o material que deve se transformar no primeiro disco. Como esse material foi produzido?
Tiago:
São 11 músicas e foi produzido pelo Marcos Sketch. Da demo para esse trabalho mudamos muito, não só a formação. Sempre tivemos bom gosto, que eu acho que é o principal. Porque tocar todo mundo pode aprender a tocar, mas bom gosto você tem ou não. Nós evoluímos musicalmente, nos tornamos melhores instrumentistas e isso tudo se reflete nesse material novo. E esse material foi gravado com produtor; a demo ficou pronta em dois dias.

Dyna: Incomoda quando comparam as músicas de vocês com as do Los Hermanos?
Tiago:
Não, porque de certa forma são ídolos também, é minha banda nacional favorita. E eu acho que tem muito a ver.
Rafael: Nós ouvimos muito o que eles ouviam. Por exemplo, gostamos muito de Roberto Carlos, gostamos do Los Hermanos da fase “Primavera”.
Tiago: Estamos mais para o primeiro disco deles do que para o último. Quem ouvir esse disco que tá ficando pronto agora, e comparar com o “Ventura”, vai perceber que não tem nada a ver. Nem as letras. Os temas podem ser parecidos, mas nós falamos mais “na cara”.
Rafael: Nós não temos nada de mpb, nem nas letras. As letras dos Los Hermanos são mais “brasileironas”, aquela coisa de carnaval. Nós não temos isso, nossa praia é mais a jovem guarda. Nossa música tem muita melodia com peso.

(a íntegra desta entrevista você lê na versão impressa da Revista Dynamite 75)

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