Baú da Dynamite: Rappin´ Hood

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As aventuras de Rappin´ Hood
By Mr.Rizada

Este sujeito homem, filho nobre da periferia paulistana, nasceu no bairro do Limão, zona norte de São Paulo. Rappin´ Hood é um cidadão que sempre se preocupou com movimentos sociais em prol da periferia – guerreiro da primeira escola do hip-hop nacional. Hoje ele tem um programa na 105 FM, chamado Rap du Bom.

São Bento, anos 80. Nesta época os encontros dos primeiros rappers aconteciam aos sábados e Rappin´ já era figurinha carimbada, junto com outros nomes importantes do movimento hip-hop, como Thaíde, DJ Hum, Brown, Smokey-D, Nelson Triunfo, entre outros. Eles se juntavam com suas equipes de break. Foi em um campeonato de rap promovido por Willian da Zimbabwe (na mesma noite era lançado o grupo Racionais MC´s) que o rapper começou a ganhar notoriedade. Daí por diante surgiram apresentações em casas como Clube da Cidade, Chic Show, que na época eram o reduto maior da periferia paulistana. Mas ainda não era hora de Rappin´ se tornar o fenômeno que hoje ele é. Resolveu dar um tempo e foi tocar trombone numa banda marcial: a do Colégio Jardim São Paulo, regida por uma das maiores maestrinas do país, Maria Cristina Kaiser Lúcio. Mas, algum tempo depois, em 1995, aconteceu um grande evento no Vale do Anhangabaú, o aniversário de 300 anos da morte de Zumbi dos Palmares, principal líder do Quilombo dos Palmares. Uma das atrações era um o grupo chamado Posse Mente Zulu que, com a música “Só Negão” levou ao delírio mais de 100 mil pessoas. Já dava pra imaginava onde este sujeito homem iria chegar.

Mas se o Posse Mente Zulu já estava na programação da MTV, o que mais queria esse rapper? Continuar a divulgação de um movimento, de um ideal, de uma história e de uma raiz. E colocar o rap na linha de frente da música brasileira, que, então, era visto só como música de malandro e da periferia. Sempre na humildade, chegando de mansinho – ou no sapatinho, como diz a malandragem – o Posse tocou na festa da revista Raça. Eis que aparece a grande dama do samba, Leci Brandão, diz a Rappin´ que aceitaria gravar uma faixa com um grupo de rap. João Marcello, da gravadora Trama, abraçou a ideia na hora. Surgia o primeiro disco Sujeito Homem.

Mas ainda era pouco o espaço no Brasil para o ritmo, na época existiam pouquíssimos meios de divulgação – um deles era a rádio Metropolitana, com uma programação rap dirigida por Armando Martins. Depois veio a 105 FM. Mas era preciso muito mais que isso. Era necessário fazer grandes celebridades da música ver e ouvir a voz da periferia. Então, Rappin´ foi convidado a participar no show de Caetano Veloso na festa de 450 anos da cidade de São Paulo. Estava selada a fusão do rap com a música popular brasileira – o movimento que ganhava força, com o respeito e a admiração de grandes nomes da MPB. O mestre (e hoje ministro) Gilberto Gil, que também estava no encontro, ficou impressionado com o profissionalismo e logo deu a deixa: “Quem sabe, um dia, a gente possa a fazer uma música juntos?” Rappin´, entusiasmado, perguntou: “Você está falando sério? No meu disco ou no seu?”. E Gil, com toda a sua peculiaridade que nos é familiar, respondeu “Tanto faz!”.

E começava a surgir Sujeito Homem 2, que chegou este ano acompanhado de um supertime de estrelas nacionais e internacionais: Doug Wimbish e Will Calhoun (baixista e o baterista do Living Colour), Gilberto Gil, Caetano Veloso, Zélia Duncan, Dudu Nobre, Arlindo Cruz, Jair Rodrigues e Fundo de Quintal, além da família Hood, sua irmã Maria Fernanda e seu filho Martin – que é o inspirador do disco, o próprio “Sujeito Homem 2”.

O CD de Rappin vem sendo bem recebido pela mídia (recebeu a cotação máxima na última edição da Dynamite e na revista inglesa Songlines – que ainda colocou a música “Rap du Bom” em seu CD –, além de ter recebido elogios do jornal londrino The Times).

(Confira a entrevista exclusiva que a Dynamite fez com o rapper na edição de nº 85 da revista impressa)

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