Baú da Dynamite: Rota do Rock

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Vânia Cavalera colocava Santo André na Rota do Rock
By Rafael Martins

Quando Vânia Cavalera voltou de sua estada nos EUA e foi morar em Santo André para ficar mais próxima de Igor, mal sabia o rock que coisa ia dar.
Acontece que ela ficou incomodada com a maneira com que uma região musicalmente tão rica quanto a do ABC estava tão parada. Daí, com sua experiência em produção, adquirida ao longo dos anos em contato com o mundo da música, ela rapidamente desenvolveu um projeto para ajudar as bandas independentes, trazendo muita diversão para a cidade. A idéia foi pegar duas bandas de mais nome para atrair público e duas independentes que seriam apresentadas a cada noite. A Secretaria de Cultura de Santo André, que também já há algum tempo procurava um meio de agitar a cena, recebeu muito bem o projeto. “Foi um casamento perfeito” , afirma Vânia.

A prefeitura disponibilizou verba, equipamento e local, então a coisa tomou forma na Concha Acústica. A estreia do então “Rock na Concha”, em julho de 2002, foi fantástica, com Andreas Kisser e convidados. O sucesso pode ser constatado logo de início. Três edições do evento mensal com público de mais de 3 mil pessoas já foram o suficiente para constatar que a Concha não sustentaria os shows. Então foi disponibilizado o Parque da Juventude, um espaço aberto gigantesco que receberia mais pessoas e faria o evento muito mais grandioso, passando a se chamar Rota do Rock.

Assim, chegando já a sua nona edição, ele cumpre com tremendo sucesso seus objetivos: levar músicos consagrados para a região, dar oportunidade às novas bandas, proporcionar entretenimento gratuito e beneficiar entidades que auxiliam pessoas carentes. Sim, além de tudo há a parte beneficente. Os shows são gratuitos, mas existem os sorteios desde o início do projeto. Quem leva um quilo de alimento ganha um cupom e concorre a instrumentos autografados pelo Sepultura, baquetas personalizadas do Igor e kits do Rota, com CDs e camisetas das bandas que se apresentam no dia.

Toda a alimentação arrecadada vai para instituições escolhidas por Vânia. “Tem sido muito importante porque com a divulgação que alcançamos muitas instituições nos procuram e acabo por conhecer coisas maravilhosas” , conta ela, “há instituições que cuidam não só de crianças carentes, mas também de adultos marginalizados” . E Vânia faz questão de frisar que tudo vem do rock: “Quando chego com as doações sempre digo, ‘essas arrecadações vêm do rock, quem nos trouxe isso foram aqueles cabeludos de camiseta preta que vocês veem por ai’” .

O Rota tem sido um evento bem sucedido e sempre promissor, graças ao apoio de marcas como a Giannini, Meteoro, Red Bull, Metal Discos, Reference, Auto Peças Gisela, Studio Lider, Harpy Cymbals e Cursom. Entre os divulgadores, estão a 89 FM, Dynamite, Rock Brigade, o Diário do grande ABC e a Prefeitura de Santo André.

Além de contar com grande divulgação, o evento é muito bem abastecido de equipamento, as bandas contam com aparelhagem de primeira linha para detonar muito rock’n’roll – é bom deixar claro que todos têm o mesmo som, “desde as bandas famosas até as novas que tocam no Rota o som é o mesmo, ninguém encosta na mesa, todos contam com a mesma potência. Longe de mim cometer essa vergonha que infelizmente até hoje acontece, onde as bandas de menor repercussão têm o som defasado e quando chega a principal é aquele estouro” , diz Vânia.

Banheiros químicos, segurança, camarins e tudo mais que for necessário é fornecido de boa vontade pela Prefeitura que vê os frutos da Rota do Rock renderem sem obstáculos. Uma única coisa que Vânia diz ainda faltar, que faz parte do projeto inicial e em breve será conquistado, é um cachê para os independentes, “até porque tenho filhos que são músicos profissionais, acho que é muito importante e até uma questão de respeito com as bandas o pagamento de um cachê, por mínimo que seja”.

Em seu crescimento continuo, o Rota do Rock anda rendendo muitas ideias. A começar pelo aniversário do evento, que acontece este ano. O público poderá votar, dentre as mais de 30 bandas que já tocaram, e escolher as cinco que se apresentarão nesta edição comemorativa. Outra ideia é uma coletânea, que depende de outros apoios, já que envolve gravação, produção, fabricação e distribuição de um CD.

(O texto completo desta matéria você pode ler na versão impressa da Revista Dynamite nº 63)

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