Baú da Dynamite: Superoutro

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Superoutro: Três guitarras e ênfase instrumental
By Ana Garcia

“Superoutro é uma banda de Recife, mas nossa música não tem referências geográficas, poderíamos ser uma banda de qualquer outro lugar. Mas não é porque nascemos aqui que iríamos fazer um som diferente”. O desabafo é de Rafael Guerra, baixista do Superoutro, que fala de uma geração inteira de artistas que começam a surgir na cidade, tendo como meta a pluralidade de sons e não a preocupação com o lugar onde vivem.
Formada por Guga Ramos (voz e guitarra), Bernardo Braga (guitarra), Zeca Bezerra (guitarra) e Sérgio Kyrillos (bateria), além do já citado Rafael, o Superoutro brinca com as suas experimentações desde o início de 2002. Os meninos passaram por algumas fases de indefinição: um dia eram Mikrofonia Drasta, noutro Auto-Reverse, mas desde agosto do ano passado eles são Superoutro. “É uma média-metragem de um diretor chamado Edgard Navarro”, explica Bernardo.
Musicalmente, as suas referências são de um bando de meninos inteligentes com um gosto musical mais abrangente do que o normal: Sonic Youth, Wilco, Radiohead – coisas boas. Cave mais fundo e você encontrará admiração por Charles Mingus, Beatles, Chico Buarque, Tom Jobim – coisas melhores ainda. É uma banda que está em constante movimento, aperfeiçoando e se transformando a cada nota. O vocal e as letras poderiam ser colocados de lado, o poder das suas músicas está no instrumental – uma explosão de melodias delicadas beirando a melancolia. “Já discutimos essa possibilidade (de ser uma banda instrumental). A ideia é inserir na música o que ela exige. Às vezes o vocal é imprescindível, noutras não”, fala Bernardo.
Mas essas conclusões podem ser tomadas quando você escutar o álbum de estreia da banda, “Autópsia De Um Sonho”. Quem esteve presente no show de lançamento percebeu a mesma textura musical apresentada no disco. “Passamos alguns meses nos preparando para gravar e sabíamos que, por uma questão orçamentária, não seria possível gastar muito tempo viajando em novas estruturas para as músicas”.
“Autópsia De Um Sonho” conta com dez faixas gravadas no estúdio Fábrica e Batuka, com a ajuda de Berna Vieira (ex-Eddie e Bonsucesso Samba Clube) e mixagem de Pablo Lopes. A produção do disco ficou a cargo de Zé Guilherme Lima (ex-baixista da Supersoniques e Bonsucesso Samba Clube) que, segundo os meninos, “não quis mudar o nosso som, mas deu toques fundamentais para estruturar melhor as músicas”. As três guitarras conflitavam na mesma frequência, uma formação que surgiu por acaso. “Posso até dizer que os guitarristas estão sempre em frequências diferentes. Brincadeira, mas discutimos muito”, confessa o guitarrista.
Agora a banda se preocupa em viabilizar “Autópsia De Um Sonho” para o resto do Brasil. As 400 cópias do disco já estão quase esgotadas e por isso eles se preparam para reabastecer o mercado com mais 100 disquinhos. “Inclusive está nos planos da banda fazer uma turnê pelo sul ainda este ano, mas não podemos deixar de buscar opções aqui no Recife, no próprio interior do estado e nas outras capitais do Nordeste”, finaliza Bernardo.

(O texto completo desta matéria você pode ler na versão impressa da Revista Dynamite nº 75)

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