Baú da Dynamite: Zerø

Confira também esta matéria em áudio!
ZERØ – Muito a dizer
By HeriK CorreiA

A Dynamite entrevistou o vocalista e líder Guilherme Isnard, da banda Zerø, ícone do new romantic/gótico dos anos 80. O prolixo Guilherme fala sobre o passado, o futuro, de jabá, da nova formação da banda, e, claro, do recente disco, “Quinto Elemento”, o primeiro de músicas inéditas em 19 anos. Confira muito do que ele tem a dizer:

Dynamite: Por que o Zerø parou todos estes anos?
Guilherme Isnard:
Foram cinco anos de hibernação, encerramos as atividades em 1992, e eu voltei pro Rio de Janeiro, o Eduardo foi para Aracajú, o Rick para Amsterdã. Tínhamos esgotado o assunto. O álbum “Carne Humana” foi lançado em 1987. De lá até 92, na pressa da estrada, não fizemos mais que duas ou três novas canções, mas eu continuei cantando. Excluindo-se um hiato entre 92 e 96, por conta de uma tentativa mal-sucedida de me afastar da carreira musical e tentar viver uma vida à paisana, o Zerø voltou à estrada em 1999 para comemorar os 15 anos de formação e não parou mais. Já lançamos três CDs desde então. “Quinto Elemento” é o quarto.

Dyna: Como se deu esse retorno e porque só sobrou você da antiga formação?
Guilherme:
Como eu disse, nós reunimos a formação clássica para alguns shows comemorativos de 15 anos e excursionamos de 99 até 2000. Após gravarmos e lançarmos o “Electro Acústico”, cada um voltou pra sua cidade, a nossa agenda não comportava músicos morando em estados diferentes. Na verdade o Zerø sempre foi um projeto de Guilherme Isnard. Todo mundo acha que a formação original é a do “Passos no Escuro”, mas essa é a formação clássica, a que fez sucesso comercial. A formação original tinha o Fábio Golfetti e o Cláudio Souza, que depois formariam o Violeta de Outono, e era uma formação de duas guitarras. A formação clássica incorporou os teclados e uma estética neo-romântica, embora o texto continuasse angustiado e de certa forma gótico. Quando decidi ter uma banda morando na mesma cidade, não tive pudores em convidar outros músicos, mas todos que passaram pela banda até hoje dão canja nos shows. Não existe cisma, nem clima ruim, só eu continuo porque só eu ainda tenho disposição para o rock

Dyna: Fale sobre esse novo álbum.
Guilherme:
Embora essa não fosse a intenção inicial, o projeto “Quinto Elemento” acabou se tornando um álbum-conceito-manifesto. Ele é a transgressão materializada direto do produtor ao consumidor, sem a interface da indústria ou do pirata. É um auto-pirata de grife, se é que isso existe. É a nossa tomada de posição frente a essa cara que a indústria da música tem hoje, contra os “pacotes artísticos” que a gente é obrigado a engolir por força do poder do jabá em detrimento da verdadeira produção cultural e artística brasileira. Eles sufocam a nossa maior virtude que é a diversidade, a pluralidade e ensacam tudo com uma etiqueta única e empurram pela goela/ouvido dos ouvintes. A gente faz rock, rock é marginal, contra-cultural, a gente tem algo a dizer e isso é a semente de uma banda de rock, senão eu iria cantar nos Rebeldes. Aliás, rock não é atitude, nome e aparência de rebelado; é conteúdo contra-cultural e transgressor. O rock ameaça, não compactua, quando o rock faz sucesso eu desconfio dele. Graças a Deus as coisas voltaram aos seus devidos lugares: os bonecos na mídia e os guerrilheiros nas trincheiras. Essa é a nossa formação mais consistente desde 1987.

(O texto completo desta matéria você pode ler na versão impressa da Revista Dynamite nº 92)

29780cookie-checkBaú da Dynamite: Zerø
Adicionar aos favoritos o Link permanente.
0 0 votes
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments