Baú da Dynamite: O Clube dos Corações Solitários

Confira também esta matéria em áudio!
By Humberto Finatti

O clube dos que amam rock, pop, literatura, poesia, cinema, grandes discos, emoções intensas, sonhos dispersos, amigos(as) & amantes, vinho e chuva, coração pulsando descompassado, mente em turbilhão de pensamentos, olhos vidrados em algum show bacana realizado em algum muquifo barato, garoa na madrugada, vento no rosto largado e no cabelo em desalinho perene. Você é um desses? Eu sou um desses? Com certeza, você deve ser. Eu também. E André Takeda idem. Ou, então, ele não teria escrito “O clube dos corações Solitários” (Conrad Editora, 2001, 200 páginas, R$ 29,00), este pequeno mas brilhante compêndio escrito de tudo que faz a vida valer a pena quando estamos naquele rito de passagem da existência: estamos nos tornando adultos, mas não queremos perder a alegre inocência da adolescência. E, mais ainda: por que amamos, de maneira tão estóica, um grande disco, uma grande canção, um belo poema ou um lindo filme, sendo nós jovens ou adultos?
André Takeda, na verdade um gaúcho descendente de japoneses, 29 anos, que está há menos de um em Sampa, veio trabalhar como redator publicitário de uma agência de propaganda. Antes disso, ele já escrevia textos e contos e era – continua sendo – colaborador de vários sites de música alternativa, além de editar a muito elogiada TXTmagazine (www.txtmagazine.com), uma revista literária eletrônica destinada a revelar novos autores, aqueles que dificilmente teriam uma chance junto às grandes editoras deste país atolado em uma cultura mainstream caduca, careta e oficialesca.
O livro é bom? Meeeeuuuu… Devorei o mini-calhamaço com uma fúria avassaladora. Leitura precisa, pop, texto fácil mas ágil e com uma elaboração surpreendente, envolvente. Do que trata a história? Simples: da vida de todos nós, de nossos sonhos, anseios, gostos e dissabores. No geral, isso. Em particular, do Spit, sujeito que estudou jornalismo, é revisor na redação de um jornal, acabou de levar um pé-na-bunda da amada, toca em uma banda cover e ama seus amigos, sua vida, grandes filmes e, principalmente, seus CDs (“…Afinal, tem vezes que acho o rock’n’roll melhor do que as pessoas. Os meus CDs não me traem, não discutem, sempre estão à minha disposição. Posso escutar uma mesma canção por um mês inteiro, esquecê-la por um ano que ela não vai reclamar. E, se eu quiser escutá-la de novo, ela vai estar ali me esperando”, diz o personagem logo no início de seu périplo pop).
Spit pode ser considerado um alter-ego de Takeda e, porque não dizer, de todos nós que pertencemos ao “Lonely Heart’s Club”. Qualquer semelhança não é mera coincidência. Afinal, André Takeda também é apaixonado pelos Beatles.

(O texto completo desta matéria você pode ler na versão impressa da Revista Dynamite nº 58)

40450cookie-checkBaú da Dynamite: O Clube dos Corações Solitários
Adicionar aos favoritos o Link permanente.
0 0 votes
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments