Baú da Dynamite: Edgard Scandurra

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Edgard Scandurra: Leva seu rock ao eletrônico
By Dum De Lucca Neto

Edgard Scandurra conquistou respeito do público e da mídia tocando rock com o Ira!. Aberto às novas possibilidades musicais, antenado na música eletrônica, o compositor e guitarrista prepara seu terceiro disco solo. Em entrevista exclusiva à Dynamite, em sua casa, na Vila Madalena, em São Paulo, o músico antecipou seu novo CD e conversou sobre música e comportamento. Consciente da influência de seu som nas bandas de rock atuais e da falta de segmentação que impera no mercado fonográfico brasileiro, ele acha que as únicas novidades espontâneas surgidas na música nos anos 90 foram o hip hop e a eletrônica.

Dynamite: Você lançou dois discos solo, um dos quais, “Benzina”, que considero muito bom. Fale sobre o CD novo, qual o conceito?
Edgard Scandurra:
Esse trabalho está caminhando cada vez mais para um rock bem eletrônico. O “Benzina” está bem voltado para uma música para se ouvir, dançar e viajar bastante. Uma coisa que me atraiu na música eletrônica desde o início foi o imaginário que ela cria. Não apenas dançar, mas sair um pouco do corpo, também. E é uma música sensorial pelos timbres, pelos climas que vão pintando, pelos filtros e sub graves. Quer dizer, tem várias nuances e truques sedutores para a mente da pessoa. E isso para mim é uma coisa que gostava de ouvir com o Jimi Hemdrix, com o King Crimson, com o rock progressivo. Essa coisa de não ser apenas um som com refrão para sair cantando e pronto, mas uma música que provoque reações. Esse é o meu caminho hoje, estou compondo e com negociações com algumas gravadoras. A vantagem de se fazer um disco hoje é que não precisa de um mega investimento. Você sempre pensava em menos de 30 mil dólares para um projeto mediano, agora se consegue fazer com bem menos.

Dyna: Em que estágio está seu novo projeto?
Scandurra:
Tenho 20% pronto e o resto em andamento. Estou chamando-o de “Benzina AK Scandurra”. A canção “Penta” vai sair agora numa coletânea de um selo novo, o SP2. Esse CD tem o tema do Brasil campeão do mundo. Essa música tem uma cuíca e possui uns barulhos que parecem gritos de torcida. Outra é a música “Musa”, que fiz até um clipe e eventualmente passa na MTV.

Dyna: É impossível dissociar você do Ira!, mas seu trabalho solo é diferente. Como você administra isso?
Scandurra:
O pessoal da banda fica numa boa, todos tem seus projetos solo. Tudo que eu faço com meus projetos paralelos, com o Arnaldo Antunes, sempre acabo levando um elemento novo para o Ira!. Os discos do Ira! sempre são provocativos. Desde o “Eletroacústico” temos essa característica. Somos um grupo de hits, mas temos nosso lado obscuro e experimental. Em 88 fizemos scratch e ninguém fazia isso. Com essa minha influência, desde 96, da música eletrônica, gravamos um CD em 97, “Você não Sabe Quem eu Sou”, que tem faixas que são radicais até para o Prodigy, acho um dos melhores discos do Ira!. Foi muito criticado pelo público cativo da banda.

Dyna: Você tocou em vários grupos antes do Ira!
Scandurra:
Verdade. Mercenárias, Cabine C, Smack, etc. Esse momento pós-punk da música brasileira foi que me deu um grande impulso para entrar na música eletrônica. Que tem essa estranheza.

Dyna: Uma coisa que o Fábio Golfetti (Violeta de Outuno) me disse é que ele tá meio puto porque os DJs, com uma pick up, viraram mais importante do que os músicos. Não precisa carregar aparelhagem. Você concorda com isso levando-se em conta o trabalho do músico?
Scandurra
: Quando abaixar a poeira dessa polêmica que existe, vai sobrar quem faz música boa e musica ruim. O Dj ou o músico. Pode ser samba ou clássico. Eu já saí do Hell’s Club às 8 da manhã e fui ver uma ópera no Municipal. Cheguei em casa doidaço com aquela mistura na cabeça. Tem que haver música boa. Por exemplo, o Patife entrou com uma música na Inglaterra já em 15º na parada e, desde “Garota de Ipanema”, isso não acontecia lá com música brasileira. Ele é um DJ. Existe um pouco desse deslumbre que às vezes sobe na cabeça do DJ. Os caras são muito sectaristas. Fui fazer uma matéria na 97 FM e algumas pessoas que sabiam que faço também música eletrônica me receberam bem e outras ficaram assustadas: “O que esse cara do rock está fazendo aqui dentro?”. Fiquei com vontade de dar uns sopapos.

(O texto completo desta matéria você pode ler na versão impressa da Revista Dynamite nº )

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