Muse não lota estádio

Muita água rola por debaixo da ponte que o caminha. A banda inglesa experimentou bastante ao longo da última década, e os sete álbuns lançados não deixam mentir: eles se permitem provar de múltiplas sonoridades e incrementá-las em seu próprio universo. Ao mesmo tempo, em meio a tantas influências, há uma identidade fácil de ser reconhecida. Toda essa informação se reflete no palco: um show meio heavy metal, meio ópera, meio eletrônico, com todo excesso do rock and roll, refletindo as incursões no caos do universo e do apocalipse no qual mergulha o líder do grupo, Matthew Bellamy.

minotauro.

 

Se na Europa e no Reino Unido eles levam há anos multidões para grandes arenas, só agora o Muse conquistou o status de banda de estádio no Brasil. Pela primeira vez, eles tiveram por aqui um espaço só para eles, tomando o Allianz Parque, o estádio do Palmeiras, em São Paulo –o trio havia tocado no estádio Morumbi durante a turnê do U2, em 2011, como banda de abertura. Dessa vez, levaram 27 mil pessoas, segundo a organização, só para vê-los. Não foi suficiente para encher a casa: ou o grupo ainda não é tão grande assim no país, ou o preço dos ingressos (R$ 320 a inteira da pista, e R$ 650 a inteira da pista premium) assustou. Qualquer que seja o motivo, o Muse mostrou que pode segurar um estádio sozinho  no Brasil.

Parte do sucesso da banda está na montagem de seus repertórios. A sequência das músicas é tão redonda que faixas mais antigas, como “” (uma raridade nos shows) ou “”, encaixam certeiras. A banda proporciona uma das melhores experiências ao vivo do rock do século 21 porque encara o palco como seu palanque principal, e não apenas como um produto de estúdio gravado para vender CDs. Matt canta suas músicas entusiasmado e apaixonado, como se cada faixa pudesse a qualquer momento estourar para fora do peito em uma explosão para todo mundo ver, enquanto o baterista Dominic Howard e o baixista Chris Woltstenholme se completam.

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