Entrevista com o candidato Alexandre Youssef

Dando prosseguimento a série de entrevistas com os candidatos progressistas da cultura, hoje é a vez de Alexandre Youssef, candidato a deputado federal pelo PV-SP.

Alexandre Youssef

ALEXANDRE YOUSSEF  nasceu em São Paulo. Formado em Direito pelo Mackenzie, foi Coordenador do Núcleo de Cidadania da Universidade e Presidente do Centro Acadêmico da Faculdade. Cursou também a Escola de Governo. Na época, atuou na Ação da Cidadania, campanha do Betinho de combate à fome.

Foi professor de Ética e Cidadania e Política Contemporânea em colégios da capital.

Entre 1999 e 2000, foi Assessor Especial do Ministro da Justiça, José Carlos Dias.

Em 2001 dirigiu a implementação da Coordenadoria Especial de Juventude da Prefeitura de São Paulo.
Ocupou o cargo de Coordenador de Juventude da cidade até dezembro 2004, durante todo o governo Marta Suplicy,  quando desenvolveu diversos projetos de valorização da cultura e comportamento jovem.

Em 2004, dirigiu a campanha vencedora de Soninha Francine à Câmara Municipal de São Paulo.
 Foi chefe de gabinete da vereadora por 2 anos.

Desde 2005, ao lado de seus sócios, Maurizio Longobardi e Guga Stroeter, comanda o STUDIO SP, casa de shows e artes que se transformou em importante plataforma de lançamentos de novos artistas.

No mesmo período, criou com Hermano Vianna, Ronaldo Lemos e Zé Marcelo Zacchi, o website cultural OVERMUNDO – primeiro site brasileiro de web 2.0, com tecnologia 100% colaborativa, pelo qual ganhou o Golden Nica na categoria Comunidade de Internet – Grande Prêmio Mundial de Arte Digital.

Com os mesmo parceiros, fundou o INSTITUTO OVERMUNDO, que busca promover o acesso ao conhecimento e à diversidade cultural no Brasil, por meio de práticas inovadoras em comunicação, propriedade intelectual e tecnologia.

É Presidente do Bloco Carnavalesco Acadêmicos do Baixo Augusta, que criou com empresários e frequentadores da região para celebrar a diversidade e revitalização da área.

Preside também a recém criada entidade Casas Associadas, que reúne casas e clubes de pequeno e médio porte em todo Brasil e busca a criação de um circuito nacional de difusão da nova música brasileira.

É também colunista de política da revista TRIP.

Cidadania:    Qual a importância da Cultura para você?

Alexandre  Youssef:  A cultural é prioridade. Ela está relacionada com a identidade de uma sociedade, com as expressões mais legítimas do povo,  com a possibilidade de juntar gente em torno de manifestações coletivas, conectada com o bem estar e o lazer.
Tem que estar na agenda central de qualquer governo e deve ser tratada de forma transversal pois ela tem interfaces em diversas áreas como educação, trabalho turismo, economia etc.

Cid.: Quais foram as suas contribuições no campo da Cultura?

A.Y.: Atuei em favor da cultura tanto do ponto de vista púbico, como privado.

Quando fui Coordenador de Juventude da Prefeitura, realizamos um grande movimento de apoio da cultura jovem, que inclusive teve a Dynamite como um dos importantes parceiros.
 Fizemos o Agosto Negro, maior festival de Hip Hop da América Latina, a Semana Jovem evento que reunia todas as expressões de nova cultura da cidade , os Circuitos de shows de Rock, Reggae, Musica eletrônica, o Lov.e
por São Paulo com oficinas de DJs e sets por toda cidade, as Paradas de Musica Eletrônica, o São Paulo Capital Graffiti,  primeiro projeto de suporte público à arte urbana que depois se consagrou como a cara de São Paulo, 64 pistas de Skate que também está conectado com a cultura de Rua, o Mix Jovem que discutiu sexualidade nas escolas públicas, apoiamos a noite, enfim…muita coisa.

Minhas atividades privadas também foram dedicadas ao fomento cultural. No Studio SP, casa de shows e arte da qual sou um dos sócios, criamos uma plataforma real de lançamento de novos talentos da nossa musica.
 Muita gente começou ou formou público ali.  Participamos também, com o Studio SP, de grande movimento  de revitalização do Baixo Augusta, realizado de forma espontânea e que se transformou no grande exemplo de como a arte e a cultura podem mudar a cara de uma cidade. Com o Overmundo, site multicultural e primeira experiência colaborativa da web Brasileira, do qual sou um dos fundadores, realizamos um grande projeto de difusão cultural.

Mais recentemente participei da criação e fui eleito Presidente do Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, que surgiu para celebrar a diversidade do Bairro e para resgatar os blocos carnavalescos em São Paulo.
Assumi também a Presidência da Casas Associadas, entidade que busca criar um circuito nacional de casas de show  de pequeno e médio porte para circulação de novos artistas e bandas do Brasil.

Cid.:  Como você avalia a política cultural dos governos FHC e Lula?

A.Y.: O governo FHC foi péssimo do ponto de vista cultural. O orçamento do MinC caiu muito e o governo se concentrou em valorizar a cultura formal, mais clássica e acabou se desconectando da cultura viva e popular. O governo Lula,
através do Ministro Gilberto Gil, resgatou o MinC, conquistou mais orçamento, reestruturou secretarias importantes e deu avanços inegáveis, especialmente na descentralização do investimento, na participação do governo dando orientações técnicas para direcionamento de verbas das estatais, como na Petrobrás, na criação de projetos de   apoio às produções mais remotas e periféricas como os Pontos de Cultura, e na inclusão na agenda de debates
 importantes como a nova lei de direitos autorais, os códigos abertos para internet etc. Mas, é preciso fazer uma ressalva,  que os avanços ficaram comprometidos com um certo aparelhamento da máquina estatal.
O processo poderia ter sido mais aberto com uso das novas tecnologias para envolver outros setores da sociedade e  não apenas aqueles alinhados ao PCdoB e ao PT na discussão. Falou-se muito em participação popular, mas o que rolou
 foi uma participação de militantes dos partidos em plenárias e reuniões que aconteciam em meio de semana em grande centros urbanos para definir os Fóruns e Conferencias de Cultura.

Cid.:   Como a educação e a cultura podem andar juntas?

A.Y.:  São áreas interligadas naturalmente, mas que no Brasil andam separadas. Quando falo em transversalidade da cultura,  o primeiro ponto de interface deveria ser educação. O problema é que nossos currículos são muito caretas e defasados  e as administrações escolares muito conservadoras. A escola deve ser um ambiente de troca e rotina cultural intensa.
Atividades podem ser acopladas ao currículo como forma de complemento a ensino formal.
 Isso passa também pela urgente informatização de todas as escolas com acesso total e irrestrito à banda larga dentro  da sala de aula. Além disso um processo paralelo de capacitação dos professor e diretores escolares  para  estarem aptos
 a desenvolver a interface com a cultura.

Cid.:  Ultimamente, a OMB- Ordem dos Músicos do Brasil tem sido bastante questionada. Gostaria de saber a sua posição sobre essa questão.

A.Y.:  A OMB é uma vergonha. Não defende os interesses dos músicos. O Presidente eterno deve ser destituído e uma reforma no órgão deve garantir formas eficazes de defesa da categoria. O controle desse processo e dos direitos deve ser feito  via internet, usando as novas tecnologias que já beneficiam demais os músicos na hora da produção, também para acompanhar a defesa dos seus direitos. Sou a favor de intervenção para acabar com essa piada.

 
Cid.:   E quanto ao ECAD, qual a sua posição?

A.Y.:  Outra piada. É um órgão corrupto e absolutamente arcaico. Esconde-se atrás da falta de estrutura para justificar  todas as picaretagens. É preciso uma ação parlamentar decisiva para acabar com essa coisa do arco da velha e criar
outro órgão no lugar. Defendo um novo modelo baseado na transformação radical do que se tem hoje em dia.
 Esse novo órgão deve ser criado  às luzes da nova discussão de direitos autorias e com uma injeção de tecnologia e formas de controle social para que os direitos de todos sejam garantidos.

Cid.:  Como você analisa a reforma da Lei  Lei Rouanet?

A.Y.:  Deve-se aprovar o Procultura em trâmite no Congresso e implementar as novas formas de financiamento da cultura,  especialmente com a revisão da Lei Rouanet. Considero que os projetos de financiamento e fomento culturais são incompletos  e insuficientes.  Acho que deve-se fomentar uma política nacional integrada entre os entes federais para criação de fontes de financiamentos e repasses para construção e manutenção de espaços culturais. Deve-se investir na formação  de agentes culturais para participação em editais, uso dos recursos públicos e prestação de contas.
Melhorar o canal de comunicação entre MinC e organizações culturais e criar mecanismos de descentralização da gestão e dos investimentos. Deveríamos adotar um modelo gerencial semelhante ao CNPq, vitalizando a atividade com consultores  “ad-doc” credenciados para avaliar os projetos. Criar novas formas de repasse de recursos público para  organizações culturais e gestão dos mesmos (como prêmios e editais). Deve-se aprovar o Procultura em trâmite
no Congresso e implementar as novas formas de financiamento da cultura, especialmente com a revisão da Lei Rouanet.

Cid.:    E qual a sua opinião sobre a reforma da Lei do Direito Autoral?

A.Y: Apoio a construção da nova legislação de Direitos Autorais. Sou a favor de ampliar o acesso à cultura  e ao conhecimento, respeitando os direitos do criador e o interesse público pelo acesso a toda
diversidade cultural brasileira. Temos que garantir que as novas tecnologias sejam usadas a favor das pessoas e do fluxo dinâmico da geração de conhecimento. Com isso, devem-se criar mecanismos  que contribuam para a efetiva utilização das obras para fins educacionais, culturais e de preservação do patrimônio cultural. Deve-se promover a expansão do acesso do acervo em domínio público, com a digitalização de todas as obras para facilitar processos educativos.

 
Cid.:   Quais são as suas propostas para à àrea da cultura?

A.Y: Além de todos os pontos que já defendi aqui, quero dedicar meu mandato à consolidação da Economia Criativa.
Acredito que a arte, a musica, a moda e todas as industrias criativas formam a plataforma de desenvolvimento econômico, geração de emprego e inclusão social do futuro. Essa é a vocação do nosso estado. Vou articular para que tenhamos em curto  prazo o cálculo do PIB da criatividade, pra saber quanto dinheiro que gira em torno do universo cultural.
A partir daí, teremos subsídios pra pleitear mais atenção do governo e do mercado para nosso setor.
Também quero criar uma lei ampla de fomento à arte contemporânea, com corte definido para a nova cultura que emerge de baixo pra cima, nos centros urbanos e nas periferias e que nunca teve suporte e apoio do governo e vive
 de migalhas. Também pretendo desenvolver uma ação de valorização da noite, que transforma cidades, gera emprego e é o reduto dessa nova arte que quero apoiar no meu mandato.

Cid.:  A Dynamite tem entre seus simpatizantes e seguidores, muitos roqueiros. Qual a sua visão sobre o Rock?

A.Y.:  Amo o rock. Estou totalmente ligado `a histórias de muitas novas bandas que surgem o tempo todo em São Paulo.
 Vejo o crescimento, sucesso ou fracasso. Acompanho, torço e sofro junto. Sem querer forçar a barra, acho que se me eleger, serei o deputado que mais entende de rock, disparado, da história do Congresso Nacional. Hahaha.

Cid.:  Agora, o espaço é seu. Deixe uma mensagem para os leitores do Cidadania e da Dynamite .

A.Y.:  Quero dizer que minha campanha para deputado federal está me ensinando muito e a maior lição tem a ver com o voto de opinião.

Vivemos um ciclo vicioso que está aniquilando a participação política dos chamados formadores de opinião.
Hoje em dia, no Congresso Nacional encontramos cada vez menos representantes dos setores mas reflexivos da sociedade.
Grande parte da elite cultural, simplesmente parou de participar do processo.

Explico melhor: o vazio ético e o pragmatismo exagerado do PT e do PSDB que tomaram conta da política nos últimos 16 anos, criaram uma rejeição tão impressionante, que conquistar o voto de opinião para eleger um deputado, virou tarefa muito árdua.
 As pessoas parecem não ter a menor vontade de se envolver na política. Em São Paulo, o empreendedorismo típico do nosso povo  e uma sensação de que essa parcela da população pode viver bem através do fruto do seu trabalho, independentemente de quem esteja no Congresso Nacional, criarm zonas de conforto praticamente intransponíveis e fizeram muita gente riscar a
política da agenda.

Mesmo setores importantes da mídia que costumam denunciar os abusos dos políticos e outros mais descolados que pregam a busca por um outro estilo de vida e açoes coletivas e de bem estar,  passam ao largo do processo eleitoral,
como se o resultado das eleições não tivessem nada a ver com a própria natureza de seus trabalhos.

E quem ganha com esse cenário? O político picareta, que não está nem um pouco preocupado com os formadores de opinião ou com a mídia. Elegem-se às pencas, com seus currais eleitorais, lideranças comunitárias compradas e
muita grana de empresas lobistas.

Lembro nas últimas eleições para o Congresso do espanto com os mais votados: Maluf, Frank Aguiar, Clodovil, Russomano etc.
 Começo a me preocupar de ver o filme se repetir, com Kiko do KLB, Vampeta, Marcelinho Carioca, Tiririca e afins.

Optei por uma campanha sem ferir a lei cidade limpa – apesar da justiça eleitoral ter liberado – sem aceitar dinheiro de lobby, nem fazer os esquemas tradicionais de aliciamento das comunidades mais carentes através de lideranças comunitárias
compradas. Vou seguir firme na convicção que o grande passo que podemos dar nessa eleição é contrariar os esquemas e fazer valer o voto de opinião, aquele que é dado por quem conhece suas propostas, acredita nas idéias e vai acompanhar e participar do processo ao longo do mandato. Só assim podemos começar a pensar em mudanças estruturais na nossa política.
 É a opção programática no lugar da ação pragmática.

A boa notícia é que se der certo, outras boas cabeças vão perceber que é possível fazer algo decente e bacana na política e nas próximas eleições, muita gente boa pode querer entrar na arena depois de mim. Alguém da Dynamite topa o desafio?

2 Respostas to “Entrevista com o candidato Alexandre Youssef”

  1. Strt disse:

    serah que pega mal eu indagar se ele me descola um cortesia pro dino ju?

  2. Marcelo disse:

    Já que o Youssef é o “candidato da cultura”, bem que ele poderia explicar qual o motivo do Studio SP e do Comitê (casas noturnas paulistanas das quais ele é sócio) desrespitarem descaradamente a lei da meia entrada na venda de ingressos de shows. Ou vai me dizer que Mark Lanegan, Viva La Fête e Dinosaur Jr. são baladas e não apresentações?

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