Close -Up Planet 1996 – A hora e a vez do Punk Rock

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Lembro que fiquei surpreso, quando na televisão anunciou esse festival; primeiro que eu havia lido na revista Rock Brigade, que o Sex Pistols viria ao Brasil, banda que eu achei que nunca voltaria a tocar; na ocasião cheguei
anunciar que não iria, pois, havia marcado alguns meses antes, uma viajem para Guaxupé/MG com os amigos. Mas, depois pensei, são bandas que nunca vi, no sábado de manhã desisti da ideia de ir para Minas; fui ao Ibirapuera
comprar meu ingresso.

Na capital paulista, tivemos o show dos Magnéticos, e na carioca, tivemos as apresentações de Little Quail and Mad
Birds e Acabou La Tequila.


Os Ostras: tipo da banda que fazia um rock engraçado; na ocasião, eles tinham uma canção que tocava muito na Rádio 89 FM, “Uma, duas ou três”, que literalmente falava sobre masturbação (ou punheta, para os mais desbocados). Nesse show, me disseram que eles não acrescentaram muito. Uma vez, estava na praia de Cambury/SP. Eu estava dormindo, mas, eles estavam tocando numa casa em frente, ou seja, a minha lembrança era na hora dessa
música, um coro de pessoas cantando.


Inocentes: outra banda que não assisti; claro, que foram saudados pelo público punk. Tocaram seus clássicos como: “Pátria Amada” e “Punk SP”. Eu estava na fila, o show estava terminado, acabei não assistindo. O vocalista Clemente apareceu no meio do público, o mesmo foi super cercado, mostrando o quanto era respeitado pelos punk-rock; eles que foram responsáveis pelas primeiras rodas. Minha memória não se esquece de um fato. Conheci os Inocentes, através de um programa da Globo chamado Mixto Quente (1986), que era ao vivo nas praias cariocas, onde o que dominava era pop rock nacional. Lembro até hoje, como os Inocentes esbanjaram energia com muito punk rock.

Marky Ramone and the Intruders: também não vi esse show; tive a felicidade de três vezes ver o Ramones 1992/1994/1996; seria estranho assistir Marky sozinho, preferi não ver. Quando entrei, o show havia terminado
e encontrei amigos de faculdade: Que estavam molhados por causa da chuva, já que chegaram muito cedo ao local. O mais engraçado, é que em 2012, trabalhei com Marky no festival Two Wheels Brasil; o levei ao programa do Danilo Gentili na Rede Bandeirantes, e na van comecei a lembrar disso e dava risada; mas, sete anos antes, no Festival Wacken Open Air, na Alemanha, fui pedir autógrafo para Marky e ele me disse: “Brasil the number one.” João Gordo participou do show, cantando “I Don’t Care”. O vocalista era Skinny Bones; a música “Anxiety” (Mondo Bizaro), agitou o público assim como “Outsider” (Subterranean Jungle). Antes do show Marky disse: “Estou
feliz pela presença dos Pistols”. Eles, junto com o Ramones, inventaram o punk. Agora Silverchair é cópia de Pearl Jam e Nirvana. O show teve destaque também: “Can´t Take it With You” (Brain Drain) e “I Want my Beer”; não faltou vibração no show deles. No futuro, acabei vendo quatro vezes o eterno baterista do Ramones.


Spacehog: quando se fala de bandas vaiadas no Brasil, sempre me lembro deles. Foi uma coisa fora do comum. Fiquei na arquibancada, os roadies trabalharam muito, estavam na turnê do álbum Resident Alien. Foi meu primeiro show do dia, o som deles tem pegada surf music, foram literalmente hostilizados, mas, eu afirmo que foi um show bem sem sal. Um trouxa na plateia é levantado e mostra a bunda para eles; a única música que deu uma luz foi: “In the Meantime”. Mas eles tiraram de letra e davam risada, apesar de todo desprezo que receberam.


Silverchair: os meninos australianos, que na ocasião, os três tinham apenas 17 anos, eram esperados por causa desse detalhe. Estavam na turnê do primeiro álbum Frogstomp. Fizeram cover do Black Sabbath “Paranoid”. A banda teve sempre a mesma formação: Daniel, vocal e guitarra, Chris no baixo e Ben na bateria. Eles mostraram garra. Eram três adolescentes destemidos. O vocal estava perfeito, o pogo foi maior do que o de Marky Ramone. O grande destaque foi a música “Israel Son”, assim como “Madman” e “Tomorrow”; muita distorção.


Cypress Hill: era a única que já tinha tocado no Brasil. Lembro até hoje,
quando na Rock Brigade, Franzin escreveu: como podem gostar de uma música tão repetida. A formação era B – Real, DJ Muggs, Sen Dog e Eric Bobo. Nunca me esqueço do palco com o Buda segurando uma folha de maconha.
Uma coisa posso afirmar, o público pulou muito, assim como o consumo de cannabis dobrou na entrada deles; foram uma hora de show. Já possuíam três álbuns. Destaque para Black Sundays e claro para a música: “Insane in
the Brain”; foi à época em que o punk e o rap eram aliados. Em 2013, assisti a um show da banda, onde novamente os seguranças foram obrigados a não se preocupar com o número de baseados acessos, eram diversos. No Rio de
Janeiro, foram a segunda banda estrangeira a se apresentar; em São Paulo, a antepenúltima.


Bad Religion: estavam na turnê do nono álbum The Gray Race. Para ser sincero, não conhecia muito da banda, ao contrário dos meus amigos que tomaram chuva, que já eram apaixonados. A empolgação foi tanta, que na
arquibancada o pessoal já se acabava, as músicas foram matadoras: “Punk Rock Songs”, “Infected”, “Generator”, “21 st Century”; Greg (v), Brian(g), Hetson(g), Jay(b) e Bobby(d) foram responsáveis pelo melhor show do dia; não
faltou agressividade, estavam em forma, foi impecável. A geração anos 1990 o aplaudiam; meu irmão, virou literalmente fã depois dessa apresentação.


Sex Pistols: resolvi descer à pista, guardei energias. Gostei da apresentação, mas, muitos diziam estar decepcionados. Foram chamados de mercenários, pelo fato de darem entrevistas, alegando: “Estamos voltando por causa do dinheiro”. A formação era a original: John Lydon no vocal, Steve Jones na guitarra, Glen Mattlock no baixo e Paul Cook na bateria. Fui obrigado a ouvir de amigos, que Sex Pistols sem Sid Vicious não era Sex Pistols esquecem que Mattlock era o único da banda que sabia tocar, e que Sid era um viciado, desenfreado, que acabou com a banda e que já havia tentado
a vida anteriormente na Siouxsie and Bashess. Chegaram a jogar moedas no palco. Eles pararam demais. Acontece que uma história estava no palco! Isso foi válido. As músicas são aquelas do único álbum da banda; destaque
para: “Bodies”, “God Save the Queen”, “Anarchy in the U.K.” e “Pretty Vacant”. O evento mostrava uma modernidade, jogos com realidade virtual, que eu tive o prazer de brincar, tendas místicas, ONG’s e tatuadores. Na porta, neo-nazistas foram presos.

História extraída do livro:

Os Festivais de Rock ⋆ Loja Uiclap

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Rodrigo Brito
Rodrigo Brito
8 meses atrás

A ideia de jogar moedas no palco do show do SexPistols foi minha, que bom que alguém se lembra disso. Eu e meus amigos juntamos muitas moedas de centavos e atiramos no palco, afinal eles queriam lucro sujo, certo?

Last edited 8 meses atrás by Rodrigo Brito