Hollywood Rock 1995: Rolling Stones no Brasil

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Os ingressos esgotaram. Na televisão a propaganda avisava aos paulistas que ainda tinha venda no Rio de Janeiro. No aeroporto de Cumbica, eram muitos passando a madrugada, para tentar um autógrafo, bandeiras da banda eram vistas nas mãos de alguns fãs. O show em São Paulo seria no Estádio do Morumbi, mas o CONTRU viu irregularidades, por isso foi transferido para o Pacaembu, e os ingressos de sábado e domingo, poderiam servir tanto para o dia, como para a segunda-feira, dia 30 (foi aberto mais um dia).

Barão Vermelho: primeiro dia em São Paulo, a chuva era torrencial, mas, o Barão Vermelho resolveu subir ao palco e tocar. A banda carioca teve atitude, eles que meses antes, haviam lançado o álbum Carne Crua; no terceiro dia, no Pacaembu, tocaram duas músicas, alegaram que o baixo deu problema e, abandonaram o show. A chuva estava muito forte também nesse dia, em todos os shows, eles tocaram suas músicas mais famosas, destaque para “Por que a Gente é Assim”.


Rita Lee: a cantora brasileira, no Rio de Janeiro, trocou a ordem de entrada com a banda Spin Doctor – fato que ela levantou mais que eles e, Mick Jagger gostou de sua apresentação; mas, no primeiro dia em Sampa, ela
dispensou a sua participação, alegou que a chuva queimaria seus instrumentos. No Rio de Janeiro, ela cantou com uma roupa psicodélica, parecia que estava nua e tatuado, com um dragão no peito, sem falar do seu sapato vermelho, exótico.

Duas músicas que agitaram muito:” Lança Perfume” e “Orra Meu”; na bateria tínhamos o competente Paulo Zinner. Em São Paulo, cantou de roupa preta e cartola, mas, o destaque do show foi quando ela lançou “Miss Brasil 2000” onde uma modelo carioca chamada Valeria Mendonça, entrou com uma Miss – coroa, manto, mas totalmente nua, mostrando os seios e os pelos pubianos. Logo após o primeiro dia de show, o Jornal da Globo dá a notícia através da apresentadora Lillian Witte Fibe. O repórter da Globo entrevista a moça, perguntando se gostou de conhecer os Stones e a moça disse sim; em seguida a pergunta: “Rolou alguma coisa?” … ela falou que não, mas, na sequência, Rita Lee ironizou. Será que aconteceu ou não? Rita literalmente “causou” no Hollywood, em todos os sentidos.


Spin Doctors: a banda não tinha público no Brasil. Na segunda-feira, dia em que assisti, o show deles foi ignorado, claro, que o maior hit da banda foi o único que chamou atenção: “Two Princess”. Eles foram espertos e trouxeram instrumentos a prova d‘água, mas, vamos falar a verdade, eles eram bem fraquinhos. Tinham apenas dois álbuns, misturavam rock alternativo, blues e até um pouco de funk. Banda que teve um relativo sucesso, mas,
nunca emplacou.


Rolling Stones: a turnê era do álbum Voodoo Lounge, o vigésimo segundo álbum de estúdio. No ano de 1968, Mick Jagger veio passar férias no Brasil; passou por Rio de Janeiro e Salvador, todos ficaram na esperança que teria um show deles no Brasil, mas, não! O nosso país não tinha condições alguma de uma apresentação tão famosa na época.

O palco dos Stones tinha 32 metros de altura e 72m de largura. A chuva era muita em quase todos os dias da apresentação, mas em São Paulo ela era mais forte; pessoas chegaram a tirar o tablado que protegia o gramado, deixando os policiais militares loucos. No terceiro dia na capital paulistana, tinha uns palhaços chutando água nas pessoas que se encolhiam nas coberturas – esse é o grande problema de shows muito famosos, sempre esses banais aparecem. Em três dias em São Paulo, 120 mil pessoas assistiram aos shows; no Rio, foram 90 mil em dois dias. Um fato curioso aconteceu com o guitarrista Ronnie Wood: ele foi passear em Angra, e o barco que estava, pegou fogo; falando nisso, durante a apresentação, Jagger, em português, apresentou cada músico. Normal que o baterista Charlie Watts e Keith Richards com sua guitarra, foram ovacionados, fazia dois anos que o baixista Bill Wyman, que havia
sido um dos fundadores da banda, deixava os Stones; em seu lugar estava Darryl Jones (que acabou ficando nos Stones). Tínhamos tecladista e saxofonista, que ficaram numa plataforma e, os backing vocals. Foram destaques
Bernard Fauler que exibiu e beijou a camisa da seleção brasileira, escrito nas costas Romário e, a elegantérrima Lisa Fischer, com sua voz potente; ela e Mick trocaram umas linguadas.


A turnê passou por 30 países, entre eles: Estados Unidos, Canadá, Argentina, Chile, México, Japão, Inglaterra, Austrália, Índia, Espanha, França, Suécia, Itália, Holanda, Escócia, África, República Tcheca, Dinamarca e Alemanha.


A banda abre com “Love is Strong”, seguido de clássicos: “Not Fade Away”, “Tumbling Dice” (Exile on Main St. de 1972), “Satisfaction” e “Out of Tears” (Voodoo Lounge). O palco tinha uma Serpente enorme de ferro, com 32 metros, que cuspia fogo. Tivemos ainda “Before They Make me Run”, “The Worst” – cantada por Keth Richards e “Sympathy for the Devil” com Jagger de óculos escuro e cartola, além de cenas psicodélicas no telão. Nada chamou mais a atenção que os infláveis no palco – eram gigantes – os que eu mais lembro foram um Hindu e um Bode. “Gimme Shelter”, com a backing vocal sendo aplaudida pela performance “Street Fighting Man”, “Start me Up”, “It’s Only Rock’n’Roll” (álbum de mesmo nome, gravado em 1974), “Brown Sugar”, “Jumpin Jack Flash”, “Angie” – que eles não cantavam há muito tempo e, foi levada no violão – “Miss You” que levou o coro do público “uuu, uuu,uuu…”, que faz parte do álbum Some Girls de 1978 (tivemos muito psicodelismo no telão), “Rock and Hard Place” (Steel Wheels de 1989) – que
teve excesso de metais, “I Go Wild”, muitos desenhos no telão (Mick estava com uma roupa vermelha no Rio de Janeiro), “You Got me Rocking” e “It’s All Over Now”, quando começa o som de uma gaita e eles emendam com
“Midnight Rambler” (álbum Let it Bleed – 1969). A banda fez bis, um show perfeito, muita música, clássicos, novidades. Fiquei chateado de não terem tocado nenhuma música do álbum Dirty Work de 1986, e as clássicas canções “You Can’t Always Get What You Want” e “Paint it Black”, que segundo informações era uma crítica a guerra do Vietnã.

A banda voltaria em 1998, com o preço bem caro. Em 2006, eles retornam e tocam na praia de Copacabana, mas, apesar de não ter assistido as outras vezes, duvido que teria tido a mesma emoção que a primeira vez.

História extraída do livro: Os Festivais de Rock – Uma Vida Rock n Roll

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