Ilegítimos – Novo nome para manter a tradição do rock gaúcho

(André “Pomba” Cagni)

O grupo de rock Ilegítimos foi formado em 2017 em Porto Alegre/RS, com influências variadas que vão do rock clássico, passando pelo blues, pop e grunge. A formação conta com Jeff Lee na guitarra e vocal, Jimmy Azevedo na guitarra solo, Felipe Silveira na bateria e Rafa Pestana no baixo.
Para quem quer conhecer uma nova banda genuína representante do rock gaúcho, leia a entrevista que fiz com Jeff Lee:

Dynamite – Faça um resumo da trajetória do grupo, pra quem ainda não conhece.
Jeff – A banda iniciou em fevereiro de 2017, já com a ideia de focar nas composições próprias. Inclusive, no primeiro ensaio já saíram umas 4 faixas, que depois fomos para o estúdio iniciar o trabalho de pré-produção. O guitarrista solo, Jimmy Azevedo, e o baterista, Felipe Silveira, eu já tinha formado uma banda com eles em 2001, que encerrou as atividades em 2006. Ficamos um longo período sem tocarmos juntos, apenas com outros músicos. Até que ressurgiu a vontade de tocarmos novamente, principalmente quando eu conheci o baixista Gustavo “Jesus” Refosco, em 2017. Os ensaios foram constantes, durante o período de um ano e meio, antes do primeiro show. Após dois anos na banda e com os shows surgindo, o Jesus decidiu sair para se dedicar a uma banda de hard rock, estilo preferido dele. Logo encontramos um novo baixista e os ensaios não chegaram nem a parar. Em poucos meses, já estávamos fazendo shows, ensaiando e gravando com o Rafa Pestana (baixista). Ele está há um ano e meio na banda.

Dynamite – O rock gaúcho sempre manteve uma tradição de lançar bandas bacanas. Vc considera que o Ilegítimos podem manter essa tradição?
Jeff – Acredito que sim. As composições que estávamos trabalhando antes da pandemia estão com uma qualidade muito acima do que vínhamos compondo em anos anteriores. Neste momento, estamos mixando as faixas do primeiro álbum, que ainda não estão todas gravadas, mas o resultado dos quatro singles iniciais estão excelentes. Estamos mixando e masterizando no estúdio Dreher, do Thomas Dreher, que já trabalhou com bandas como a Cachorro Grande. Temos influência, basicamente, do rock clássico dos anos 60 e rock nacional dos anos 80. É como voltar no tempo para resgatar o rock mais simples possível e que possa dar aquele “tesão” pra quem ouvir.

Dynamite – A cena do rock gaúcho sempre foi muito forte e autossuficiente, mas também um tanto hermética. O que você acha que falta para transpor essa barreira e buscar reconhecimento fora do RS?
Jeff – Na minha opinião, o que falta é a divulgação em veículos de comunicação do centro do país. Muitas bandas procuram focar apenas no público gaúcho, e isto não ajuda a vender shows para o eixo Rio/SP. A qualidade das bandas é inquestionável, como Garotos da Rua, Replicantes, Bixo da Seda, Engenheiro do Hawai e por aí vai. Hoje este tipo de divulgação está diferente por causa das redes sociais, que derrubaram as barreiras fronteiriças entre os Estados, entretanto é uma maneira de mostrar o trabalho para o público local.

Dynamite – Vocês iriam lançar o primeiro álbum completo esse ano e, ao que parece, a pandemia acabou impedindo. Qual é a previsão agora para esse lançamento? E os singles que já estão no spotify, irão entrar também no disco?
Jeff – Sim, os singles farão parte do álbum, ainda sem nome e, em razão da pandemia, sem previsão de lançamento. Nosso trabalho de pré-produção dura muito tempo. Chegamos a ficar trabalhando um ano ou até mais nos singles que lançamos agora. Temos mais duas estruturadas e prontas para gravar, mas que ainda precisam de alguns ajustes antes de entrar no estúdio. Nós só gravamos quando temos certeza que as faixas estão perfeitas. Não entramos antes disso. Neste momento, a faixa O Vazio está sendo remixada, pois temos certeza que ela vai ficar melhor em relação a como está.

Dynamite – Na sua opinião, como anda o rock no brasil e no mundo? Ainda considera que o estilo continua firme e mandando o recado certo para os ouvintes, especialmente os mais jovens?
Jeff – Considero o rock como um paciente com covid na UTI, quase falecendo. Mas que pode sair deste estado e voltar para casa. Os ciclos que o estilo sofre, de altas e baixas, é bem natural. Não encaro como terra arrasada. Foi assim quando a disco music dominava as paradas nos anos 70, quando surgiu o punk. Foi assim quando Madona, Michael Jackson e as bandas glam/pop estavam por cima, tendo como contraponto Guns and Roses e o movimento grunge. Mais recentemente cito os Strokes, que quando surgiu foi a mesma coisa… ninguém ouvia o estilo e muitos consideraram a salvação na época. Eu não glorifico nenhuma destas bandas, apenas vejo que elas fizeram um excelente trabalho, principalmente se tratando das composições e execuções dos álbuns, principalmente os discos de estreia. É nisso que nos inspiramos e temos como meta: conseguir fazer um álbum de estreia que seja bem executado.

Para saber mais sobre a banda, acesse: https://www.facebook.com/ilegitimosband/.
Para ouvir o som deles,acesse: https://open.spotify.com/artist/4Yth1Q1dBz5VXvJBG6AXuo?si=zKFj5wjtT8yHmWN2Ey7PFA.

Assista aqui ao lyric video de O Vazio:

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