365 volta com punch e disco novo

Uma das mais importantes bandas de punk rock do Brasil e precursora do gênero ao lado do Inocentes, Cólera e Ratos de Porão está de volta. Na verdade ela nunca terminou suas atividades, mas como todo grupo genuinamente independente que não faz parte da turma dos indies estatais, deu um tempo para retornar com novo fôlego. Não só está de volta à ativa como prepara um CD inédito. Pra quem não conhece o 365 foi fundado em 1983 no auge do movimento punk rock por Miro de Melo, bateria, Tiquinho, guitarra, Adauto, baixo, e Oclinhos, vocal, quando ficou conhecida no circuito underground paulista por suas canções de protesto e por seu rock de combate. Em 1985, a banda passa por uma reformulação com a entrada de Ari Baltazar, guitarra, Mingau, baixo, e Finho, vocal. Hoje, o grupo tem Miro, Ari, Finho e Roberto Palhares. E foi com essa formação que, apesar da comoção pelo falecimento do amigo Redson Pozzi, vocalista do Cólera, dois dias antes, fez um show repleto de energia,vitalidade onde tocou clássicos como “São Paulo”, “Grandola, Vila Morena”, e as inéditas “Destino”, Breve Mundo Novo” e “O Tempo”, no Dynamite Pub, em São Paulo.

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A emoção dominou a performance do início ao fim. O grupo, muito bem afinado e em sinergia com o público mandou bem e reativou o espírito do verdadeiro punk rock de combate. Apesar de Miro de Melo me dizer que o sentimento de tristeza provocado pela morte de Redson e estampado em um grande cartaz com a imagem do amigo atrás do palco fizesse com que a execução não fosse perfeita, a impressão foi exatamente outra. Nessas horas existem coisas mais relevantes do que a técnica. Foi um concerto espontâneo onde os músicos deram o melhor de si tocando um real rock de garagem: Ari debulhando a guitarra, Finho (que em breve lancará seu primeiro livro de poemas) cantando como nunca e Miro impulsionando a cozinha junto com Robertinho. Foi visceral. O mesmo espírito livre dos anos 1980, quando atingiram a marca de 80.000 discos vendidos e lotavam espaços por onde quer que fossem, estava de volta. Musicalmente o 365 tem a pegada do The Clash e continua fiel às suas raízes, o punk de 1977, na onda de bandas inglesas como Stiff Little Fingers e Sham 69, por exemplo. A literatura do grupo, um pouco inspirada no poeta punk Glauco Matoso, tem uma levada bem punk e humana nos versos criativos compostos por Finho.

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Desde 2005, quando lançou “Do Outro Lado do Rio”, o 365 deixou uma legião de fãs carentes que aguardavam por um novo trabalho da banda. Depois de muitas idas e vindas que a vida dá, e aguçados pela imortal chama da arte underground que nunca morre, a boa notícia chega. Essa história começa em janeiro desse ano quando Miro de Melo resolveu parar com a música. Mas para o bem do punk rock, ao dizer isso ao Ari foi seduzido por algumas músicas novas que o guitarrista havia composto nesse longo hiato. O próximo passo foi ligar para o Finho e começar os ensaios. “Então fomos para o estúdio e resolvemos gravar nosso quarto disco para encerrar uma fase e deixar um último CD para nosso público. Fizemos um pacto de nos centrar em um foco e nos empenharmos ao máximo nesse objetivo. Assim em três meses compomos oito canções e entramos em imersão nos ensaios”, conta o músico.

Mas o mais bacana nessa vibe é que, nesse meio tempo, a notícia dessa reunião vazou e o 365 começou a receber convites para shows. E esse aspecto é muito importante quando a gente sabe que existem entidades como a Abrafin e o Fora do Eixo que adoram emular grupos ruins e sem história de fora de São Paulo e do Rio de Janeiro e, claramente, apesar de usarem da estrutura da cidade de São Paulo, boicotam os grupos daqui. Tudo bancado por verbas estatais da Lei Rouanet, o que chamo de rock estatal. E isso sou EU quem afirma não a banda 365. Dessa forma, o mítico grupo iniciou uma nova fase de shows misturando as novas composições a seus clássicos. “A recepção foi a melhor possível. Só nos deu mais força para continuarmos, fomos para o interior de São Paulo, Centro Cultural São Paulo, porque tocar ao vivo é o grande prazer da banda. Então, agora vamos voltar a focar na criação do CD e lançar o disco novo no máximo em fevereiro de 2012”, finaliza Mirão.

http://www.myspace.com/banda365

http://www.filestube.com/b/banda+365

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7 Respostas to “365 volta com punch e disco novo”

  1. Luciene disse:

    Como você mesmo mencionou, o 365 não perdeu sua essência e continua com fans que mais parecem amigos de uma mesma família. Costumava ouvir quando mais nova mas ver o show ao vivo foi muito melhor. Que os caras continuem mostrando um puro punk rock brasileiro que por sua vez, parece não existir mais.
    Vida longa aos caras do 365. E você , como sempre, traduziu com habilidade e grande conhecimento, toda emoção vivida pelo público fiel dessa banda que marcou época e continua surpreendendo. Valeu!

  2. João Paulo disse:

    Pena que estou longe e não pude ir ao show, mas o texto dá uma boa ideia de quanto bom foi a volta desse ícone do punk nacional. Tomara que eles venham ao Rio de Janeiro.

  3. Henrique Shermam disse:

    Me lembro do 365 tocando nos anos 80 e não sabia que ainda estava em atividade. São Paulo é a melhor canção de um grupo de rock que mostra o sentimento de todos que moram na cidade. É muito bom saber que em breve um disco novo estará saindo.

  4. Nascida e criada no ABC paulista convivi com o movimento punk praticamente no quintal de casa. Infância e adolescência embalada ao som de Garotos Podres, Cólera, Olho Seco, Inocentes, Ratos e 365. Diante desse ar nostálgico fiquei feliz com a notícia da banda na ativa, principalmente por não apenas relembrar bons momentos mas para acrescentar músicas novas ao repertório. Boa sorte 365 e toda essência que envolve seu som e ideologia.
    Dum! Adorei a alfinetada no fim da matéria, esse é o tipo de banda que merece não apenas participar dos festivais, e receber cachê dignamente por tocar!

  5. Dum de Lucca disse:

    Oi Cris

    Bom te ver aqui.

    A alfinetada é o grito de sempre, porque não dá pra concordar e compactuar com esse modelo de festivais “independentes”.

    Bj

  6. Lu Kalil disse:

    Certamente um show que eu gostaria de estar pois representa uma época em que as coisas eram mais difíceis e espontâneas. Punk da melhor qualidade, assim como a informação.

  7. [...] ser muito mais, como foi o show do 365 em SP – leia o texto do Dum de Lucca sobre o show aqui http://dynamite.com.br/jukebox/2011/10/o-365-volta-com-punch-e-disco-novo/ – ou diversas outras homenagens país [...]

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