Monsters of Rock de 1998

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O Monster de 1997 foi cancelado. Isso foi uma tristeza enorme. Teríamos Van Halen com Judas Priest e Type o Negative (que nunca veio). Em 1998, parece que a galera havia perdido o tesão; para muitos, estava muito
pesado; a troca de local, também foi um detalhe.

Na porta, fui proibido de entrar com uma maça, alegaram que eu poderia usar para agredir alguém (já ouviram alguma história, que alguém levou várias “maçanzadas”) – acabei dando para um maluco que estava no portão principal.


Dorsal Atlântica: segundo informações anos depois, fiquei sabendo, quando comecei a trabalhar na imprensa rock, que Carlos Vândalo fez meditação antes de entrar em cena. O folclórico vocalista entrou com os olhos pintados de preto – era uma faixa. O baixista era Alexandre Faria; na bateria tínhamos Guga. A banda começa com músicas novas e, depois emenda os clássicos para delírio do público. “Straight” era o nome do álbum, destaque para a canção “Tortura” Carlos se jogou no chão; eles que estavam na ativa desde 1981. Muita agitação por parte do pessoal que estava na frente.

Korzus: a banda estava com a formação que mais durou. Marcelo Pompeu no vocal, Silvio Golfetti e Heros Trench na guitarra, no baixo tínhamos o imortal Dick e, na bateria, Rodrigo Oliveira – que há um ano estava no Korzus. O último trabalho deles era KZS de 1995. Pompeu estava com a camisa da banda Exodus (Bonded My Blond). Destaque para as músicas: “Lost Man”, “Pay for Your Lies” e “The World is a Stage”. Mas, a que levantou mesmo foi “Victims of Progress”; pogos se abrindo, e o aquecimento para o festival estava apenas começando. Korzus deixou todos prontos para as próximas atrações.


Glenn Hughes: o cantor britânico, que já fez parte das bandas Deep Purple, Black Sabbath e Trapeze, trouxe sua competente banda e, claro, sua voz perfeita. Mesmo assim, o público não ligava muito para as suas músicas novas; cheguei na metade do show, para ser sincero não atraiu muito, mas, quando começou os acordes de “Burn”, clássico do Purple, onde ele e Coverdale dividiam o vocal – hoje essa música é tocada apenas pelo Whitesnake – a canção causou um alvoroço no púbico; muito solo de guitarra e de teclados, com a versão bem comprida, todos que estavam sentados, assim como eu, correram para frente.


Savatage: a banda americana realmente tinha muitos fãs, mas, seu show não foi dos melhores. Posso dizer que na hora da “Gutter Ballet” foi a melhor parte da apresentação, onde o público delirou mais. A música estava alta, ela começou com introdução de teclado de Jon Oliva – que já fez de tudo no grupo. Zachary Stevens mostrou presença de palco, além de Al Pitreli que sempre manda bem na guitarra, mas, a apresentação não foi nem metade do bom show que eles dariam em 2001, no Via Funchal (quando o vocalista foi outro). Faltou emoção, apesar dos elogios feitos. Haviam lançado fazia pouco tempo o álbum The Wake of Magellan.

CREDITO Youtube, Slayer no palco


Saxon: estava muito feliz em escutar os clássicos da grande banda britânica, pois era a primeira vez que eu os assistia e, eles arrasaram com “Motorcicle Man” e “Power and Glory”; lembro que a maioria achava que a próxima banda seria o Dream Theater, então muitos estavam longe…na hora que eles foram anunciados, foi uma correria, claro, os fãs mais radicais do Slayer, ignoravam o grupo. Mas não faltou performance de palco; na minha opinião, foi o segundo melhor show do dia. Uma banda 100% metal, por ironia, Gastão Moreira da MTV, entrevistou o Saxon com a camisa do Dead Kennedys. No final do show, eu estava na pista perto dos camarotes, avistei o vocalista Biff Byford, o mesmo me deu um autógrafo, pedi para minha mãe bordar, e hoje a camisa oficial desse evento virou um quadro em minha casa. A formação era a que mais durou, guitarras Paul Quinn e Doug Scarrat, Nibbs Carter no baixo, e Niguel na bateria. Estavam na turnê do álbum Unleash the Beast, lembrando que a banda tocou um ano antes no Brasil.


Dream Theater: com respeito aos vários fãs, mas, não era dia para eles. Claro que a melhor música da banda levantou demais: “Pull Me Under”. Sim, eles são exímios músicos, um time que tem, John Petrucci, James Labrie, Derick Sherinian e Mike Portnoy, não pode ser chamado de ruim, mas, seu som, não agrada a todos. E apesar dos pesares, muitos reclamaram da presença deles. O último álbum era Falling Into the Infinity. Cheguei a discutir com um colega de classe, pelo fato de dizer que não tinha muita paciência com o show da banda.


Manowar: a banda aproveitou a vinda ao país, e colocou alguns trechos no seu DVD. Se existe uma banda que gosta de aparecer, essa banda é o Manowar. No intervalo do Saxon com o Draem Theater, Joey DeMaio subiu na arquibancada e, pediu para os fãs fazerem a tradicional pose, onde todos seguram o pulso esquerdo com a mão direita. Alguns fãs do Slayer começaram a vaiar e mostrar o dedo do meio, mas, não foram todos, pois, muitos com a camisa do Slayer saldaram o grupo. No palco, o lendário Pepinho (filho de Pepe Macia, craque do Santos das décadas de 50 e 60), foi chamado, pois o mesmo tem a tatuagem escrita Manowar nas costas. A música que levantou foi “Black Wind Fire and Steel”, do disco Fighting the World. Lembro que me revoltei que não tocou “Batlle Hymns”, mas em resumo, foi um bom show, daqueles que não falta energia. O baterista era o falecido Scott Columbus.


Megadeth: o simpático David Mustaine, antes de começar o show, ameaçou chutar os equipamentos da MTV que estavam no palco…no Brasil tudo pode e, com certeza os fãs acharam que ele estava certo. A banda como
sempre tem a sua presença de palco, mas, achei que dessa vez eles perderam para a maioria das bandas. O Manowar foi melhor, talvez pelo fato de tocarem músicas novas; o último álbum era o Cryptic Writings, onde ele apresentou as canções “Secret Place”, ‘Sin”, “Trust” e “Almost Writings”. Outra mudança que os brasileiros sentiram, foi que Nick Menza não estava mais na bateria, segundo conspirações, ele foi demitido quando estava no hospital operando o joelho – Mustaine ligou, e o demitiu. Jimmy de Grasso, como já disse, já havia se apresentado com o Suicidal, Alice Cooper e agora Megadeth. Foram 11 músicas, destaques para: “Peace Sells”, “Hangar 18”, “Symphony Destruction” e “A Tout Le Monde”. David Elefson estava de cabelo curto e Mustaine com a camisa do Motorhead.


Slayer: a grande sensação recebeu críticas dos fãs de bandas mais clássicas, pois, alegavam que eles não eram para fechar. Só sei de uma coisa, o show deles foi matador, lembro que não parei um minuto; você pode não
gostar de metal extremo, mas, o Slayer é diferente. Na bateria, pela segunda vez tínhamos Paul Bostaph. O álbum lançado aquele ano era Diabolus in Música. Foram 12 petardos, sem dó; abriram com “War Ensenble”; vou
destacar “Hell Awaits”, “Rainning Blood”, “Die by the Sword”, “Seasons in the Abyss” e “Chemical Warfare”. Uma banda que se diferencia das outras do estilo. Tom Araya com muita simpatia desce para cumprimentar os fãs.
Com toda a experiência que tenho em shows, nessa época eu já tinha 27 anos, já estava há quase dez anos indo aos festivais e, afirmo que foi um dos melhores que já assisti – olha que eu vi muita coisa. Fernando Souza
Filho, redator da Rock Brigade colocou na resenha: o heavy metal morreu? Esqueceram de avisar 50.000 pessoas (ironizando a frase infeliz de Rob Halford na época).

História extraída do livro: Os Festivais de Rock – Uma Vida Rock n Roll

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Pedro Santos Ferraz
Pedro Santos Ferraz
1 ano atrás

Seria de bom grado revisar o texto. Muito mal escrito com vírgulas onde não existe e uns erros gramaticais que é pura falta de atenção (acontece muito com quem usa demais internet).