PUNK NA PASKÖA – 2011

Punk na Pasköa é um dos melhores festivais de Punk Rock de Sampa e pra vocês conhecerem ele melhor vamos conversar com Jeferson (Agrotóxico), um dos organizadores do evento.
Squat – Jeferson, conte pra gente, quando começou o Punk na Pasköa?
Jef – Estamos na sexta edição – Desde 2006.
Squat – O que motivou você a ralar por esse festival, já que todo mundo sabe que é muito trampo e nada de retorno financeiro?
Jef – A motivação maior é a mesma que nos impulsiona a manter a Red Star (desde 1998) e seus lançamentos e todas as bandas que toco; o fortalecimento da cena e a dedicação por ideais que acredito. Tenho comigo que fazemos da cena local menos do que realmente poderíamos.
Vivemos em um ambiente muito propício para a disseminação da música de protesto e exploramos muito superficialmente as possibilidades de termos mais bandas locais tocando em melhores condições, selos e casas de shows com maior suporte além do engajamento político, essencial.
O Punk na Paskoa é resultado de todos esses desejos. A explícita demonstração de que tudo é possível: Um selo independente que organiza seu próprio festival reunindo as bandas importantes do underground brasileiro, nas suas mais diversas tendências. Em 6 edições já tocaram todas bandas Punk 77, Straight-Edge, Rock a Billy, Psycho Billy, Crust, Grind, D-beat, Hardcore, Metal, Ska, Thrash e outras que misturam tudo isso. O lema é: se a sua banda tem uma postura política aceitável e toca boa música, seja bem-vindo ao Punk na Paskoa!
Squat – Como você escolhe as bandas que vão participar?
Jef – Existem alguns princípios básicos que essencialmente mesclam bandas que fizeram história na cena, as bandas mais ativas na atualidade e bandas com grande potencial de se firmarem em curto tempo com bons discos, turnês, etc. Por fim, e não menos importante, é dar oportunidade às bandas que estão surgindo e que não teriam a chance de tocar no Hangar 110 ou em um festival importante. No fim do festival o mais importante é ter bandas satisfeitas com o tratamento e condições de realizar seus sons, felizes com a grande festa, e moleques no público inspirados a fazer a sua própria banda, o que determinará a continuidade do treco como um todo.
Squat – Todas as bandas são de São Paulo? Pq não bandas de outros estados e gringas?
Jef – Esta edição excepcionalmente não terá bandas de outros estados como já tivemos D.F.C., Ovos Presley, protesto Suburbano e outras nas edições anteriores. Este ano a produção do DVD inviabilizou os custos, já que os ingressos são reconhecidamente baratos (R$ 25 para os 3 dias). Nas próximas edições pretendemos ter ao menos uma banda gringa e mais bandas de outros estados… e ainda fazer o DVD… Quem viver verá!
Squat – vai ser só som ou teremos outras coisas tipo: Vídeos, Fotos, Tattos, Barraquinhas de selos, Luta livre ou sei lá mais o que?
Jef – Este é basicamente um festival de celebração da música punk e tudo gira em torno disso, ou seja, todas as bandas terão lá os seus discos disponíveis a preços honestos e acessíveis, além de todo material de distribuição Red Star… camisetas e acessórios de visual NÃO são bem-vindos mas também estarão por lá! hahaha! Teremos também um DJ (Gringo) em todos os dias com suas pick-ups tocando só vinil. No fim o que vale é a música, o pogo e as cervejas. Por vezes esquecemos que tudo gira em torna da manifestação de idéias e comportamento subversivo através da música, por isso julgo que a relação do público com as bandas é combustível para a existência da cena Punk como música (suporto um selo desde 1998 e não posso deixar de acreditar nisso). Apóiem os selos e as bandas novas da sua cidade e teremos uma cena cada vez mais forte. Luta livre não está na pauta dos dias, ainda!
Squat – Fale-nos um pouco da organização do evento: Contato com as bandas, aparelhagem, custo do evento, segurança e principalmente divulgação pois tenho visto muitos show e pouco publico.
Jef – Correria monstro pra adequar as agendas de todas as bandas, em especial deste ano que serão 3 dias. Feito isso relacionamos nos detalhes o que disponibilizar para que as bandas façam seus melhores shows…. este ano teremos 3 baterias (apoio da Bauer), vários amplificadores de guitarras e baixo… tudo Marshall e Ampeg. Há ainda uma equipe de roadies para fazer as trocas das bandas em tempo recorde e com perfeição. Além da organização dos horários para que tudo seja pontual e não decepcione a quem vai assistir. Em tudo isso o pessoal do Hangar 110 nos dá um suporte sensacional.
Este ano ainda teremos o pessoal de produção das imagens que estarão lá com 5 câmeras profissionais além da captação do áudio de todas as bandas para a edição final do DVD.
Squat – uma dos pilares desse ano é a volta do Olho Seco… fale nos um pouco sobre isso? Pode nos dizer quais os planos da banda?? Talvez um disco com sons inéditos??
Jef – Este será o grande retorno do Olho Seco que já não toca há anos. Claro que queremos fazer shows relembrando todos os clássicos da antiga mas nossa maior missão é compor um disco novo… totalmente podrão no esquema Olho Seco de sempre.
Planejamos também um retorno a Europa, mas fundamentalmente tocar desta vez no maior número de Estados pelo Brasil. Fabião promete tirar a ferrugem da jaqueta rebitada e colocar na estrada suas botas, fuzis e capacetes!
Squat – é muito claro que a cena punk esta carente de uma nova geração tanto de publico como de bandas. Além de festivais como o Punk na Pasköa, que mais você acha que pode ser feito pra mudar isso?
Jef – A transformação das realidades estão relacionadas às atitudes das pessoas e seus ambientes de convivência. Em nosso micro-universo que chamamos de cena, a construção das coisas passa pelo mesmo conceito. Participar, apoiar, informar-se, manifestar-se. A partir daí se fundamenta a nova geração.
Squat – Estamos vivendo uma enxurrada de shows gringos, tantos que até alguns caem ao mesmo tempo em que outros, isso sem falar em cima de shows ou festivais locais. Como você acha que isso reflete na cena?
Jef – Sem considerar os preços absurdos dos ingressos, todo esse movimento é positivo. Devemos considerar, porém que a valorização do Real frente ao Dólar e suposta melhora da economia brasileira atraem as bandas que com a queda nas vendas de seus discos têm de tocar a qualquer custo e o Brasil passou a ser um lugar interessante para isso. Bancado principalmente pela classe média consumista paulistana que paga o ingresso mais caro do mundo para ver na maioria bandas cansadas.
Estamos falando dos grandes shows, mas no underground ainda continuamos num ritmo lento e com infra-estrutura precária para bancar a vinda de bandas novas que já têm destaque na Europa e EUA e que não chegam por aqui. Vivemos ainda de shows de bandas antigas que gostaríamos de ter visto há 20 anos.
Não criamos ainda um circuito capaz de suportar bandas em turnês pelo país que poderiam baratear os custos e atrair as tais bandas atuais. Somos um país continental com milhões de apreciadores da música alternativa de protesto espalhados por aí, mas ainda não fomos capazes de nos mobilizar para criar o tal circuito… não sei o que estamos esperando! Isto é absolutamente possível!
Squat – Quais são os planos futuros do Punk na Pasköa?
Jef – Mais shows, mais bandas, mais discos, mais diversão, disseminação de idéias e valorização das bandas e seus públicos.
Muito boa a entrevista sei que poderíamos ir mais longe, mas internet é um lugar de dinamismo e deixamos o resto pra um podcast (né Dennis?!?!)

Jeferson Agrotoxico
Agora se você curte Punk, seja as idéias ou só pelo som esse é um festival que você PRECISA ir pelo menos um dia. Trombo com você lá!!
Serviço:
Pünk na Pásköa 2011 – Festival Red Star
Hangar 110 – 21, 22 e 23 de Abril
A Volta do Olho Seco
Garanta seu Ingresso !!!
21 bandas… Total Punk & Hardcore… shows imperdíveis e ingresso barato (promoção para os 3 dias).
Confira a programação, compre seu ingresso antecipado, apóie sua cena, divulgue…
Participação Especial (em 1 dos 3 dias): OLHO SECO
Quinta 21/04/2011
Lobotomia
Calibre 12
Atroz
Presto? -
Hell Sakura -
Desalmado
Escomungados
Sexta 22/04/2011
Flicts
Agrotóxico
Ação Direta
Social Chaos
Kaos 64
Kob 82
Asfixia Social
Sábado 23/04/2011
Cólera
Invasores de Cérebros
Nitrominds
Armagedom
DZK
Busscops
Homeless
GRAVAÇÃO DE TODOS OS SHOWS PARA LANÇAMENTO EM DVD
Hangar 110 (SP) – a partir das 18:00hs (Chegue Cedo)
R. Rodolfo de Miranda, 110 – Bom Retiro – Metrô Armênia
Informações: www.hangar110.com.br – fones: 3229-7442 / 9389-3365
Ingressos: R$ 10 (antecipado) – R$ 15 (na porta)
Para os 3 dias R$ 25 (somente antecipado)
à venda na Galeria do Rock – Loja 255 e Galeria Nova Barão Lj 36 (Combat Rock)
Hangar 110 – Música e Cultura
www.hangar110.com.br