Túnel do Tempo: A cena indie

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O que rolou em 2001 – Por: Edwin Peres & Marcos Bragatto

A CENA INDIE SE MOVIMENTA
Na esteira do Abril Pro Rock, dois outros festivais agitaram a cena independente.

CIRCADÉLICA – 09 e 10/06/2001 – Circo2 – Sorocaba/SP By Edwin Peres
A idéia do Circadélica surgiu da banda local Wry que, excursionando através do país, entrou em contato com um monte de bandas bacanas que possuem público em seus estados, mas que não alcançam a divulgação fora deles, por causa do velho problema de distribuição. Adeptos da ideologia punk do It yourself, foram atrás da LINC (Lei de incentivo a Cultura) e o projeto tomou forma. No dia 9, o Initieites, deu início à festa, abrindo para um público desavisado que, a princípio, sabia que ia rolar música ali, só não sabia de que tipo. O Pelvs do Rio começou de fato o festival, iniciando de forma tímida, os cariocas agradaram no geral; logo após, o primeiro grande show, do Grenade de Londrina (PR), abusando da experiência na estrada, os paranaenses tomam o público de assalto, dando-se muito bem. O pique se mantém com a entrada dos gaúchos Walverdes tocando um rock básico, contagiaram a platéia, que já havia aumentado bastante. Uma pequena pausa e o momento intimista no festival, quando entra no palco o Snooze, direto de Sergipe, a banda hipnotiza a todos até o final. Mas a tranqüilidade é literalmente quebrada pela entrada do Maguerbes de Americana (SP), com seu alternametal. Os rapazes finalmente colocaram o público prá pular, principalmente a platéia de camisas negras. Sinceramente, o show do MQN, provou que Fabrício Nobre é um frontman nato, dotado de pleno espírito rock’n’roll, o vocalista junto com a banda derreteram a platéia. Justamente depois entrou o Madeixas. A banda de Blumenau (SC) que numa completamente gelada performance não empolgou a moçada. Nesse clima entra no palco o Astromato de Campinas (SP), que retoma o público, que curtiu as letras do grupo, cantando inclusive algumas. A noite já rolava dentro quando o Thee Butcher’s Orchestra de São Paulo (SP) pisou no palco, e rolou uma das melhores performances ao vivo de banda de rock brasileira. E no final o Wry. Jogando em casa, com torcida e estádio a favor, o Wry aplicou uma goleada sonora. Muito bacana e fim da primeira noite! No dia seguinte, já havia uma fila na entrada, e como o ingresso se dava por um kg de alimento não perecível, tinha um monte de pessoas já no portão para ver a apresentação do Automatic Pilot que foi rápida demais. Em seguida entrou o Red Eyes. Incrível como a entrada do Zili na banda deu uma nova pegada bem mais pesada, sem perder o groove. O Hateen com Koala à frente, totalmente alucinado, mandou ver, com Japinha segurando tudo lá atrás, agradaram bastante. Os históricos Muzzarellas, entraram no palco sendo ovacionados com as músicas “Viking”, “Sometimes” e “Bzz Guy”. Direto de Goiânia, o Mechanics disse a que veio: um show totalmente garage rock! De capa da Folha Ilustrada, o Maybees chegou com responsa no festival, com Vanessa lidando com doçura com a galera. O Biggs fez um show bem coeso assim como o Prole, com a galera do Metal vibrando, ocasionando o primeiro bis do festival. Estava todo mundo esperando o Pin Ups, que acabou não rolando, pois a banda acabou mais uma vez. Assim coube ao Holly Tree manter o ritmo da noite, o que acabou ficando fácil, pois eles já têm um repertório muito conhecido da moçada. No fim todos o Garage Fuzz, banda de Santos bem conhecida no underground. Acabaram literalmente o festival, com todos agitando tanto na platéia quanto os outros integrantes das bandas no backstage. Sensacional.

MADA Farto Alimento Para Todas As Almas – Natal/RN By Marcos Bragatto
Jomardo Jomas já era um produtor cultural conhecido em Natal, quando resolveu, por volta de 97, aproveitando contatos que tinha na mídia, fazer um festival que mostrasse para o Brasil a efervescência musical que rola na capital potiguar. A primeira edição do Música Alimento da Alma (nome tirado da música de uma banda de reggae local) aconteceu já em 98, mas foi a partir de 2000, na segunda edição, que a mídia se deu conta do que estava rolando em Natal, e o Brasil todo conheceu o evento, que a partir de então ganhou o nome na forma reduzida: MADA. O festival acontece sempre em maio, no Largo da Ribeira, point natalense que fica numa região antiga da cidade, junto à zona portuária, que está sendo revitalizada pela prefeitura, e hoje abriga vários bares e casas noturnas. Durante o MADA a Ribeira é cercada e coberta por uma lona gigante que remete aos bons tempos do Circo Voador, no Rio. São dois palcos, lado a lado, de modo que os shows não param: mal acaba um e o outro já começa, e ninguém sabe qual é o principal e qual secundário. Outro projeto de Jomardo, de olho nos mercados vizinhos, é o “Música Para Riba”, filial do MADA na Paraíba, que deve acontecer em João Pessoa ainda em setembro desse ano.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA
17/05, Quinta: Alfândega (RN), Delta 9 (RN), Renata Gebara (RJ), Pau De Dá Em Doido (PB), Sangue Blues (RN), Mad Dog (RN), Cabruêra (PB).

18/05, Sexta: Peixe Coco (RN), Lunik (RN), Detonautas (RJ), Officina (RN), Leela (RJ), Embola Funk (RN), Brigite Beréu (RN), Sonic Jr. (AL).

19/05, Sábado: Deadly Fate (RN), Parole (RN), AR-15 (RN), Sem Destino (DF), General Junkie (RN), Escurinho (PB), Girassol Em Fuga (RN), Ragganóia (RN), Reggaelize (RN).

(O texto completo desta matéria você pode ler na versão impressa da Revista Dynamite nº 46)

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