Túnel do tempo: Supla

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SUPLA: QUEM É POLÍTICO? QUEM É PIRATA?
By Lílian Vituzzo

Não se pode negar que até há pouco tempo Supla era um músico conhecido apenas por fazer músicas estranhas para nossos padrões e por ser filho de um famoso casal de estadistas de nosso país. Na década de 80, ele fez um relativo sucesso com o grupo new wave Tokyo que teve hits como “Humanos” e “Garota de Berlim” (em que contracena com Nina Hagen). Depois tentou uma carreira solo sem muita repercussão e resolveu ir pra Nova York. Lá montou um grupo de metal punk chamado Psycho 69 (que lançou um álbum) e em 2000 estava montando um outro projeto chamado Supla Zoo, em que fazia um som denominado ‘bossa furiosa’.
Eis que a atual prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, resolveu candidatar-se ao cargo e chamou seu filho Supla para ajudá-la na época da campanha e prontamente o músico atendeu ao pedido deslocando-se de Nova York para São Paulo.
Aí tudo aconteceu! Enquanto Supla trabalhava para a mãe de um lado, de outro o empresário Silvio Santos escolhia nomes para participar de sua nova criação, o programa “A Casa dos Artistas”. Pelo jeito irreverente de ser, o músico foi escolhido e desde então obteve a grande chance de expor nacionalmente sua criatividade e um despojado jeito de viver. De apenas mais um músico de atitudes estranhas, Supla virou “Ídolo Nacional”.
Foi a explosão Supla, com o álbum “Charada Brasileiro”, divulgado durante o show de realidades, que vendeu, vendeu e vendeu, chegando a 300.000 cópias. A agenda de shows ficou lotada e mais do que dinheiro, Supla sentiu o gostinho do reconhecimento de uma vida inteira de batalha. Agora é a vez de “Político e Pirata”, o novo disco. Em entrevista concedida à Dynamite, o simpático e bem humorado cantor conta tudo sobre essa segunda etapa, família, política, etc.
A diferença entre o “Charada Brasileiro” e “Político e Pirata” é que o primeiro foi independente, gravado em sua própria casa, em Nova York. Já o segundo contou com excelente qualidade de gravação e produção. As menções eletrônicas encaixam-se perfeitamente ao som criado pelos músicos e se harmonizaram ao estilo rock anos 50 que prevalece no álbum.
O método de trabalho dele é sempre experimentar tudo e fazer com que um disco seja diferente do outro. A idéia de fazer o “Político e Pirata” surgiu de um livro do Padre Antonio Vieira, sobre “Alexandre, o Grande”, que Supla ganhou de presente de seu pai, o Senador Eduardo Suplicy.
Em ‘Político e Pirata’ eu posso falar disso novamente, a eleição e tudo mais, cutucar os políticos, usar o humor e a ironia, coisas normais do cotidiano. Logo na vinheta de abertura eu tiro um sarro, não sei quem é político ou quem é pirata. O Enéas é um comédia pirata!”, explica Supla sobre a faixa de abertura.
Mas além de músicas irônicas e engraçadas, letras como a de ‘Assinei o Contrato’ servem para alertar a molecada a prestar atenção na parte burocrática de todos os trabalhos, e assim não ser enganada. ‘Blá, Blá, Blá’ foi inspirada em uma canção de David Bowie, ‘As Virgens’ eu gravei com o Holly Tree, ela é toda punk, bem rápida e com um bumbo, surdo, mas reprogramamos a música e ela ficou com uma sonoridade no estilo The Police bem no começo deles. Agora a ‘Quanto tempo faz’ é bem baladinha, com hip-hop e violão cortado. Voltadas para o lado puro do rock´n´roll estão ‘Mão Direita’, ‘A Língua Falou’, ‘De Janeiro a Janeiro’, ‘Dia do Cão’, ‘Vampiros’, que é bem naquela onda Bauhaus/David Bowie.”, explica Supla, praticamente passando o disco à limpo.
Quanto à concepção visual do CD, Supla comenta que adora desenhar, assistir desenhos e ler histórias em quadrinhos. Assim, colocou sua criatividade à tona preparando o pôster e o encarte do álbum. “Acho bastante original a pessoa poder ouvir a música e acompanhar o desenho nos encartes, ler as historinhas”, afirma o cantor.
Quando perguntado sobre ele ser ou não ser punk, Supla sentencia: “Eu sou um cara trabalhador. Playboy só gasta dinheiro, sou batalhador. O que é ser punk ou não, eu não sei! Punk pra mim é uma final entre Santos e Corinthians, é guerra! Qual é o ideal de um punk? Só sei que não sou bunda-mole, vou em todo lugar, surfo com qualquer galera e em qualquer lugar”.
Voltando à política, Supla demonstra um grande orgulho de seu pai como pessoa e político: “Meu pai é um grande combatente da corrupção. Ele é um exemplo de vida pública, é o cara que mais me orgulho, olha só, o programa de renda mínima dele”.
Conversando a respeito de nosso atual Presidente da república, Luís Inácio Lula da Silva, o músico acredita que o primeiro ato do presidente será dar comida às pessoas. “Sem comida não dá pra fazer nada. Não dá pra ter saúde, cultura ou trabalho, tudo depende da comida”, explica Supla. Quando a pergunta foi se algum dia ele se candidataria a algum cargo público, o cantor rebateu e finalizou com outra pergunta: “Dessa água não beberei?”…

(O texto completo desta matéria você pode ler na versão impressa da Revista Dynamite 61)

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