Túnel do Tempo: Vega

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SUPERNOVA NA CONSTELAÇÃO POP BRASILEIRA
By Humberto Finatti 

Cansado da oligofrenia reinante no redivivo pop-rock brasileiro? Enfastiado com os horrores perpetrados por Jota Quest, Surto, Sandy & Jr., Kelly Key e outros que infestam ubiquamente as ondas do rádio, infernizando ad nauseam nosso indefeso sistema auditivo? Pois experimente o Vega. Quem? Trata-se de um quarteto paulistano que lançou há pouco seu álbum de estréia, “Flores no deserto”, um delicado compêndio de canções doces, bucólicas e que guardam pouca ou nenhuma similitude com o atual padrão vigente na produção musical pop nacional.

E antes que alguém indague pelas credenciais do grupo, a elas. Contando com a linda e loira Cláudia Gomes nos vocais, Marcos nas guitarras e violões, Mingau no baixo e Caio na bateria, o Vega é um projeto em gestação há cerca de seis anos e que somente agora ameaça alçar vôo definitivo. “Há uns seis anos eu tenho essa idéia, de montar um projeto com vocal feminino”, revela Mingau à Dynamite. “Pois é, e aí o grupo foi virando a ‘menina dos olhos’ de todos nós”, completa o guitarrista Marcos.

Essa formação descrita no parágrafo acima revela alguns trunfos e uma grande surpresa: Mingau, o homem por trás das quatro cordas do contrabaixo, é um dos músicos mais conhecidos da grande e perene geração rock brasileira dos anos 80. Ex-integrante de grupos punks clássicos como Inocentes, 365, Ratos De Porão e também integrante da atual formação do Ultraje A Rigor, causa espanto ver um músico com um currículo assim liderar – junto ao guitarrista Marcos – uma banda cuja musicalidade é centrada em canções de forte apelo melódico, construídas sobre sólidos arranjos de cordas e com muito espaço para violões, teclados e solos de harmônica. “Na verdade, eu sempre compus no violão”, comenta Mingau. “Eu sempre tive um pendor por coisas mais pop, até meio folk. Eram canções que eu nunca poderia aproveitar no Ratos de Porão ou nos Inocentes”.

Com apenas vinte anos de idade, a vocal paranaense Cláudia pode ser considerada como uma das gratas revelações do pop nativo dos últimos anos. Com uma inflexão que trafega perfeita e suavemente pelos tons mais diversos, ela se sente à vontade para informar à reportagem que começou a cantar aos seis anos de idade e, autodidata que é, participou de cerca de 250 festivais de canto. Venceu 90% deles. Como foi parar no Vega? “Ela era vizinha de um amigo meu”, conta Mingau. “E eu e o Marcos já havíamos testado duas outras vocalistas, que não haviam dado certo. Quando esse amigo comum disse a ela que estávamos precisando de uma garota com um vocal legal, ela nos procurou. Fez um teste, gravou três músicas e foi aprovada no ato”. O grupo ganhava uma loiraça que, além de cantar muito, ainda possuía um gosto musical dispare, sem precedentes.

O grupo ainda contou com um “little help” dos bons e grandes amigos granjeados por Mingau durante sua longa trajetória como músico. É assim que há faixas compostas pelo baixista em parceria com Dinho Ouro Preto (“Incondicionalmente”) e com Alvin L. (“Setembro” e “Inverno”), um dos melhores letristas do pop-rock brazuca desde sempre. Como se não bastasse, há participações especialíssimas, no álbum, de feras como os bateristas André Jung (do Ira!) e Paulo Zinner (Golpe De Estado), além do lendário guitarrista Luis Carlini. Tantas participações da “turma das antigas” suscita a questão: e o pop e o rock atualmente feitos no Brasil, não é digno de confiança e não possui qualidade? “Hoje em dia, o cara liga o rádio e assimila as músicas meio que por osmose”, dispara Marcos. “O marketing é tão pesado… a banda entra em estúdio, tem duzentos produtores, a gravadora fica dizendo o que você tem que fazer…”.

Que é algo que não deverá acontecer com o Vega. Honestidade, o grupo tem de sobra. Qualidade musical, idem. E aceitação na mídia eletrônica, também. Tanto que a faixa “Vozes de uma dor”, já freqüenta a programação de algumas FMs paulistanas. Portanto, é só aguardar: tal qual a estrela que lhe empresta o nome, o Vega está pronto para brilhar na esmaecida constelação do pop brasileiro. Que assim seja.

(O texto completo desta matéria você pode ler na versão impressa da Revista Dynamite nº 54)

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